As bolsas europeias encerraram a segunda-feira (19/10) em baixa, em uma sessão marcada pela aversão ao risco, pela pressão sobre as ações do setor bancário e pela preocupação com a situação fiscal da França. Os protestos violentos no país aumentaram a cautela dos investidores, enquanto a temporada de balanços corporativos e as oscilações dos preços do petróleo continuaram no radar em meio às incertezas geopolíticas.
Em Londres, o FTSE 100 (LSE) recuou 1,08%, aos 10.764,69 pontos. O DAX (DBI), de Frankfurt, perdeu 1,24%, aos 25.303,68 pontos. Em Paris, o CAC 40 (EU) caiu 1,11%, aos 7.868,05 pontos. O FTSE MIB (BITI), de Milão, registrou baixa de 1,55%, aos 49.086,27 pontos, enquanto o Ibex 35, de Madri, cedeu 1,89%, aos 18.961,00 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 (EU) terminou com queda de 0,78%, aos 9.394,18 pontos.
Os protestos na França elevaram os juros dos títulos públicos franceses de dez anos, ampliando as preocupações com a trajetória fiscal do país e seus possíveis reflexos sobre o mercado financeiro europeu. Para a Capital Economics, a situação fiscal do país deve piorar antes de melhorar, mas o risco de contágio é limitado, diante da baixa exposição dos bancos à dívida soberana e da capacidade de atuação do Banco Central Europeu (BCE).
O cenário pressionou especialmente as instituições financeiras. O subíndice bancário do Stoxx 600 recuou 2,4%, refletindo a combinação entre a alta dos juros soberanos e a deterioração do sentimento dos investidores. Em Paris, Société Générale perdeu 3,8%, enquanto BNP Paribas e Crédit Agricole caíram 3,1% cada. Na Itália, UniCredit recuou 2,6%, Mediobanca perdeu 2,2% e BPER Banca cedeu 2,7%. Milão também foi palco de uma onda de protestos.
Entre as empresas afetadas pelos acontecimentos, Carrefour caiu 2,3% depois de informar que 50 lojas foram saqueadas durante os protestos. A companhia também anunciou a compra da Codifrance por 152 milhões de euros. Em Paris, as ações de Accor e Klépierre recuaram 3,3% e 2,2%, respectivamente, ampliando as perdas entre empresas expostas ao ambiente econômico francês.
Em Frankfurt, Continental perdeu 2,6%, enquanto Rheinmetall caiu 3,6%. Merck recuou 0,6% após a compra da Silence. Em Londres, 3i Group cedeu 2,9% e InterContinental Hotels Group perdeu 1,5%. Na direção oposta, BP avançou 0,1%, acompanhando os ganhos anteriores dos preços do petróleo. Na Holanda, o setor de semicondutores apresentou desempenho positivo, destoando da tendência predominante nas bolsas europeias. BE Semiconductor avançou 3,3%, enquanto ASML subiu 1,3%, em sintonia com a recuperação das ações de tecnologia nos Estados Unidos. O movimento mostrou que, apesar da aversão ao risco, alguns segmentos ainda encontraram espaço para valorização.
A combinação de instabilidade política, preocupação fiscal e elevação dos juros soberanos franceses pode manter a volatilidade elevada nos mercados europeus. As ações de bancos e empresas mais expostas à economia francesa tendem a permanecer sensíveis a novas informações sobre os protestos e as contas públicas. Por outro lado, a avaliação de que o risco de contágio é limitado pode ajudar a conter uma deterioração mais ampla do mercado. No câmbio, o euro também pode sofrer pressão diante da incerteza política e fiscal, enquanto a procura por ativos considerados mais seguros pode favorecer movimentos defensivos. Nos títulos públicos, a alta dos rendimentos franceses representa um sinal de maior percepção de risco, embora a atuação do BCE seja um fator relevante para a avaliação dos investidores.
Os dados de mercado anexados confirmam o predomínio das perdas no fechamento europeu. O FTSE MIB (BITI) aparece com recuo de 1,68%, aos 49.017,57 pontos, enquanto o CAC 40 (EU) cai 1,11%, aos 7.868,05 pontos, e o FTSE 100 (LSE) perde 1,08%, aos 10.764,69 pontos. No mercado cambial, o euro recua 0,15% frente ao dólar, com a paridade EUR/USD (FX) em 1,1208, e perde 0,28% frente ao real, na paridade EUR/BRL (FX), cotada a 5,6689. Os números reforçam o ambiente de cautela diante das tensões políticas e fiscais europeias.
Fontes: Dow Jones Newswires.
