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Dólar cai por terceira sessão seguida após Flávio se aproximar de Lula em pesquisa
O dólar recuou ante o real nesta quarta-feira pela terceira sessão consecutiva, após nova pesquisa eleitoral indicar queda na distância numérica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,91%, aos R$5,1065, o menor valor de fechamento desde 7 de agosto, quando marcou R$5,0845. Nas últimas três sessões, a moeda acumulou baixa de 1,72% e, no ano, tem queda de 6,97%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,96% na B3, aos R$5,1380.
A nova pesquisa Quaest revelou que Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicando um empate técnico entre os dois, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Numericamente a distância entre os dois diminuiu de 3 pontos percentuais na pesquisa anterior para 1 ponto agora.
No primeiro turno, Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Augusto Cury (Avante) aparece com 10%. Logo após a divulgação da pesquisa, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) renovaram mínimas, assim como o dólar ante o real, enquanto o Ibovespa atingiu máximas, em uma reação positiva dos agentes.
De modo geral, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a redução numérica da distância para Lula -- têm se refletido positivamente nos ativos.
"Independentemente de quem esteja do outro lado, o mercado é mais simpático à candidatura que não seja a do Lula, em função das contas públicas", resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, citando ainda a disparada da bolsa de ações como um fator favorável à queda do dólar ante o real. "O investidor estrangeiro parece estar voltado para o Brasil", acrescentou.
Após atingir a máxima intradia de R$5,1702 (+0,33%) às 10h15, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0984 (-1,07%) às 13h20, já após a divulgação da pesquisa Quaest.
Durante o dia, os agentes também estiveram atentos aos desdobramentos do noticiário sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo BC. Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Profissionais ouvidos na véspera e nesta quarta-feira afirmaram que um dos pontos centrais será medir o impacto do escândalo envolvendo Moraes nas pesquisas eleitorais. Bandeira de Lula na campanha, a proposta de fim da escala de trabalho 6x1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado durante a tarde e agora segue para o plenário.
Apesar dos recuos recentes do dólar, ao considerarem o cenário mais geral, analistas ouvidos em pesquisa da Reuters avaliaram que, independentemente da vitória de Lula ou de Flávio, a moeda norte-americana deve subir ligeiramente no médio prazo. Em um ano, a previsão mediana é de que o dólar atinja R$5,23. A estimativa foi gerada em consulta a 26 estrategistas de câmbio entre 31 de agosto e 2 de setembro.
No exterior, o petróleo Brent chegou a operar em baixa mais cedo, mas voltou a subir durante a sessão, para acima dos US$95 o barril, em um cenário geopolítico ainda conturbado. As forças norte-americanas atacaram a costa sul do Irã, que revidou disparando contra bases dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio, no maior confronto armado entre os dois países desde julho.
Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,13%, a 99,548. No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$3,095 bilhões em agosto até o dia 28.
Ibovespa salta 3% com expectativa sobre eleição e fluxo estrangeiro
O Ibovespa disparou 3% nesta quarta-feira, flertando com os 186 mil pontos no melhor momento, endossado por fluxo estrangeiro e expectativas relacionadas à disputa presidencial no país, enquanto o noticiário corporativo teve como destaque reestruturação societária da Azzas 2154, que fez a ação da empresa disparar.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,05%, a 185.205,09 pontos, maior alta percentual em um dia desde março. Foi a 11ª sessão seguida com fechamento positivo. Na máxima do dia, chegou a 186.028,06 pontos -- patamar que não superava desde o começo de maio. Na mínima, registrou 179.733,57 pontos.
O volume financeiro no pregão somou R$40,86 bilhões, acima da média diária no ano de cerca de R$32 bilhões.
Wall Street fecha em alta, com ações recuperando um pouco do brilho
O Dow Jones Industrial Average subiu 0,56%, para 53.061,89 pontos,
S&P 500 avançou 0,46%, para 7.666,63 pontos,
Nasdaq Composite teve alta de 0,45%, para 26.217,83 pontos.
As bolsas europeias fecharam em queda
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,3%, a 10.756,45 pontos.
Em Frankfurt, o DAX caiu 0,49%, a 25.843,34 pontos.
Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,26%, a 8.280,63 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,24%, a 51.792,10 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,23%, a 19.779,00 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,77%, a 9.405,31 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam em queda
O índice japonês Nikkei caiu 2,9% em Tóquio, para 64.325,64 pontos.
O índice sul-coreano Kospi despencou 3,99% em Seul, para 6.562.72 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng terminou com baixa de 0,07%, a 25.311.21 pontos.
Já o Taiex, referencial de Taiwan, cedeu 1,7% em Taiwan, para 46.164,72 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto caiu 0,97%, para 3.941,39 pontos,
Shenzhen Composto perdeu 1,45%, para 2.511,52 pontos.
Na Austrália, com recuo de 0,97% do índice S&P/ASX 200 em Sydney, para 8.978,40 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve alta de 1,04% em Wellington a 13.930,57 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve baixa de 0,66% em Moscou a 2.172,93 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 0,49% em Bombaim a 76.570,35 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires.
