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Dólar tem alta forte reagindo a nova pesquisa eleitoral e exterior
O dólar fechou a quarta-feira com alta firme no Brasil, reagindo ao avanço da moeda norte-americana no exterior e a uma nova pesquisa eleitoral no Brasil mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperando vantagem numérica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,27%, a R$5,1689, o maior valor de fechamento desde 31 de agosto, quando marcou R$5,1814. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,83%. Às 17h04, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 1,20% na B3, aos R$5,1715.
A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno na disputa pelo Planalto, contra 47,4% de Flávio. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico.
No entanto, o resultado coloca Lula novamente na liderança numérica, já que no levantamento anterior o petista tinha 46,8% e Flávio somava 47,2%.
Nas últimas semanas, a percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio vinha favorecendo o chamado "trade eleitoral", que se traduz no avanço do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros). Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.
Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio -- como o leve fortalecimento de Lula no segundo turno da pesquisa Atlas/Bloomberg -- tendem a trazer um viés de alta para o dólar. "A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula voltando à frente numericamente, ainda em empate técnico, e o mercado reagiu cobrando mais prêmio. Na minha opinião, o que está em jogo não é o nome de quem vai ganhar, é a trajetória da dívida", disse à tarde Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, em comentário escrito.
"Enquanto não houver um sinal claro de compromisso com as contas públicas, acredito que o investidor vai continuar exigindo juros mais altos para financiar o país e vai buscar proteção no dólar", acrescentou. O cenário externo foi outro fator altista para as cotações nesta quarta-feira, com a moeda norte-americana ganhando força ante quase todas as demais divisas. Por trás do movimento está a perspectiva de nova alta de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, em meio aos impactos inflacionários da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Em outro sinal de pressão inflacionária, a S&P Global informou pela manhã que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro. Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após o resultado de 56,0 em agosto. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor privado. Em reação, o dólar acelerou os ganhos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,1214 (+0,34%) às 10h30, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1769 (+1,43%) às 14h40. Depois, as cotações se mantiveram em níveis elevados até o fechamento.
Sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu no fim da manhã 30.000 contratos de swap cambial para 1º de outubro em operação de rolagem. Também pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, disse que não espera grandes solavancos no câmbio diante das mudanças de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
À tarde o BC informou que saíram do Brasil US$7,078 bilhões líquidos em setembro até o dia 18. Às 17h05, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,54%, a 101,090.
Ibovespa fecha em queda com exterior desfavorável, sem tirar eleição do radar
Após duas altas seguidas, o Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, contaminado pelo cenário externo desfavorável a ativos de risco, em meio ao avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,86%, a 185.814,09 pontos, após marcar 185.676,38 na mínima e 188.772,33 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$29,68 bilhões, com investidores também analisando nova pesquisa eleitoral no Brasil.
O rendimento do Treasury de 10 anos marcava 5,1038% no final da sessão, com a retomada da alta do petróleo e dados robustos sobre a maior economia do mundo apoiando apostas de alta dos juros norte-americanos em outubro.
Wall St fecha em baixa, com alta nos preços do petróleo e nos rendimentos dos títulos do Tesouro
O S&P 500 recuou 0,75%, encerrando o pregão em 7.706,05 pontos.
O Nasdaq caiu 1,13%, para 26.936,04 pontos,
Dow Jones Industrial Average perdeu 0,68%, para 51.511,59 pontos.
Nove dos 11 índices setoriais do S&P 500 registraram queda, liderados pelo setor de serviços públicos, com baixa de 1,72%, seguido por uma perda de 1,49% no setor de serviços de comunicação.
As bolsas europeias fecharam em queda
Em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,03%, a 10705,26 pontos.
Em Frankfurt, o DAX caiu 0,59%, a 25426,79 pontos.
Em Paris, o CAC 40 recuou 0,39%, a 8123,41 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB cedeu 0,21%, a 51987,49 pontos.
Em Madri, o FTSE MIB cedeu 0,21%, a 19659,20 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 recuou 0,25%, a 9632,44 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única
O índice sul-coreano Kospi subiu 0,90% em Seul, para 7.080,92 pontos,
Taiex avançou 0,75% em Taiwan, para 48.157,29 pontos.
Hang Seng caiu 1,01% em Hong Kong, a 24.834,12 pontos.
No Japão, o mercado acionário não opera desde segunda-feira (21) e só reabrirá amanhã, em razão de feriados.
Na China continental, o pregão foi negativo: o Xangai Composto recuou 0,39%, para 3.936,52 pontos, Shenzhen Composto cedeu 0,50%, a 2.525,92 pontos.
Na Austrália, alta de 0,09%, com o índice S&P/ASX 200 a 8.765,30 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve baixa de 0,39% em Wellington a 13.821,76 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve alta de 0,51% em Moscou a 2.311,71 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve alta de 0,40% em Bombaim a 74.828,25 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires.
