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Dólar fecha em leve baixa apesar de reação negativa ao reajuste do Bolsa Família
O dólar fechou a quinta-feira em leve baixa no Brasil, após ter subido mais cedo com o mercado reagindo negativamente ao anúncio de reajuste do Bolsa Família, com impacto fiscal para este ano e o próximo estimado pelo governo em um total de R$27,8 bilhões.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,25%, a R$5,1392. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,37%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,29% na B3, aos R$5,1515.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou pela manhã um reajuste de aproximadamente 15% nos benefícios do Bolsa Família, que já valerá para os pagamentos feitos em outubro, levando o piso do programa a R$691 por família, de R$600 antes. Segundo a equipe econômica, o aumento assegura reposição da inflação no valor do benefício, que ainda não tinha sido reajustado no governo Lula. O custo estimado da medida é de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027.
A reação negativa do mercado foi imediata, com o dólar ganhando força e atingindo a máxima de R$5,1785 (+0,52%) às 10h41. Operador ouvido pela Reuters chamou a atenção justamente para o aumento das despesas, em um cenário que já é de dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.
O anúncio do governo é mais um fator com potencial para impactar a disputa pela Presidência, em um momento em que Lula tem se enfraquecido nas pesquisas em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No início do dia, a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois seguem tecnicamente empatados, mas Flávio ampliou ligeiramente sua vantagem numérica. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4% e Lula somava 46,2%.
Nas últimas semanas, o fortalecimento da candidatura de Flávio tem favorecido o chamado "trade eleitoral", que se traduz na alta do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros). Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Passado o primeiro impacto do anúncio do reajuste do Bolsa Família, o dólar perdeu força e se reaproximou da estabilidade. Durante a tarde, exibiu leves perdas, refletindo o crescimento de Flávio nas pesquisas.
No exterior, a tarde também foi de baixa do dólar ante divisas pares do real como o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,04%, a 100,220. No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para a rolagem de 1º de outubro.
Ibovespa sobe com Vale, mas receio fiscal mantém índice abaixo dos 186 mil pontos
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, assegurada principalmente pelo avanço de 2% da blue chip Vale, após reação negativa no pregão ao anúncio de reajuste do Bolsa Família e seus potenciais efeitos nas contas públicas e no cenário eleitoral.
Nova pesquisa eleitoral também ocupou as atenções, reforçando o cenário de disputa acirrada pelo Palácio do Planalto, assim como a decisão de política monetária do Banco Central, que reduziu a Selic a 13,75% na véspera e deixou em aberto os próximos movimentos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,24%, a 185.992,03 pontos, após chegar a 186.740,72 pontos na máxima do dia (+0,72%). No pior momento, cravou 183.242,37 pontos, queda de 1,2%. O volume financeiro no pregão somou R$26,81 bilhões, em sessão ainda marcada por desempenho robusto de Wall Street e queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
Wall St fecha em alta com setor de tecnologia e queda no petróleo e nos rendimentos dos Treasuries
O Dow Jones Industrial Average subiu 0,62%, para 51.779,85 pontos,
S&P 500 teve alta de 1,14%, para 7.637,74 pontos,
Nasdaq Composite avançou 1,69%, para 26.418,30 pontos.
As bolsas europeias fecharam em alta
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 1,19%, a 10.816,14 pontos.
Em Frankfurt, o DAX subiu 0,77%, a 25.733,26 pontos.
Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,57%, a 8.186,93 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,8%, a 52.385,50 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 subiu 1%, a 19.831,80 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 1,37%, a 9.671,11 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única
O índice japonês Nikkei subiu 0,33% em Tóquio, para 64.136,25 pontos.
Kospi ficou praticamente estável em Seul, com baixa de 0,04%, a 6.715,41 pontos.
O Hang Seng recuou 0,44% em Hong Kong, para 24.604,29 pontos,
Taiex avançou 0,96% em Taiwan, a 46.288,00 pontos.
Na China continental, o pregão foi negativo: o Xangai Composto caiu 0,41%, para 3.875,60 pontos,
Shenzhen Composto recuou 0,21%, para 2.471,39 pontos.
Na Austrália em alta de 0,41%, com o índice S&P/ASX 200 a 8.732,40 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve alta de 0,98% em Wellington a 13.756,59 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve baixa de 1,68% em Moscou a 2.246,39 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 0,029% em Bombaim a 74.314,59 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires.
