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Dólar cai para perto dos R$5,15 em dia de alta do petróleo
O dólar fechou a terça-feira em queda no Brasil e novamente próximo dos R$5,15, em mais um dia de alta do petróleo no exterior, em meio ao conflito no Oriente Médio.
O movimento cambial esteve em sintonia com o avanço do Ibovespa e com a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros.
O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,54%, aos R$5,1533. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,12%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,55% na B3, aos R$5,1910.
A divisa norte-americana chegou a sustentar alguns ganhos ante o real no início do dia, após dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre reforçarem a percepção de que o Banco Central caminha para promover novos cortes da Selic, hoje em 14%, no curto prazo. Com uma taxa de juros mais baixa, em tese o Brasil se torna menos atrativo para capital internacional.
Ainda durante a manhã, no entanto, o dólar perdeu força e migrou para o território negativo ante o real, em sintonia com o movimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes e o avanço do petróleo Brent no exterior. Como exportador de petróleo, o Brasil tende a receber mais dólares com o aumento dos preços da commodity.
Por trás da alta do petróleo estava novamente o conflito no Oriente Médio. Após Teerã fazer um apelo para que Washington cumpra o acordo provisório de julho, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o mais recente ataque ao Irã foi "justificado", ameaçando realizar ações mais intensas se houver retaliação.
Depois de marcar a cotação máxima de R$5,2018 (+0,39%) às 9h11, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1377 (-0,84%) às 14h17, em um momento do dia em que parte das atenções se voltaram para o noticiário interno. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deram conta de supostos pedidos de ajuda dele ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, Vorcaro era alvo de investigações por fraude no Banco Master e tentava evitar a prisão.
Há ainda supostos diálogos que sugerem que Moraes teria revisado previamente contrato a ser assinado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e Vorcaro, segundo a imprensa. Moraes descartou qualquer impedimento para que o escritório de advocacia liderado pela esposa firmasse um contrato para prestar consultoria jurídica ao Banco Master, disse o escritório de advocacia em nota divulgada nesta terça-feira.
"É difícil neste momento projetar o impacto político e, consequentemente, o impacto no mercado das notícias sobre Moraes", comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. "(Mas isso) vai ser explorado pela campanha do (senador) Flávio Bolsonaro", opinou.
Flávio (PL-RJ), atualmente o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Planalto, é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no Supremo do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No exterior, o dólar exibia no fim da tarde sinal positivo ante a maior parte das divisas, na esteira do avanço do petróleo. Às 17h26, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,27%, a 99,681.
Ibovespa fecha em alta com impulso de Petrobras e PIB
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, ultrapassando os 181 mil pontos na máxima pela primeira vez em quase quatro meses, endossado por blue chips, notadamente Petrobras, em meio a novo avanço do petróleo no exterior.
A primeira sessão de setembro também incluiu dados sobre o PIB do Brasil no segundo trimestre, que confirmaram a desaceleração da atividade econômica e alimentaram expectativas de novos cortes na taxa Selic.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou em alta de 1,3%, a 179.722,48 pontos. Na máxima do dia, chegou a 181.060,89 pontos. Na mínima, marcou 177.299,50 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$31 bilhões.
Wall Street recua com alta de rendimentos e dos preços do petróleo
O Índice Dow Jones Industrial Average caía 0,41%, para 52.965,78 pontos,
S&P 500 perdia 0,55%, a 7.643,68 pontos,
Nasdaq Composite tinha queda de 0,93%, para 26.125,19 pontos.
O indicador de medo de Wall Street, o Índice de Volatilidade CBOE, subia 0,72 pontos, para 15,64.
Seis dos 11 principais setores do S&P 500 estavam em território negativo. O setor de bens de consumo discricionário liderava as perdas com uma queda de 1,74%, enquanto o de tecnologia da informação recuava 1,2%. O índice Philadelphia SE Semiconductor caía 2,7%, atingindo a mínima em quase um mês.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em queda
Em estreia na Bolsa, as ações da varejista Shein fecharam com leve queda.
Em Hong Kong, o Hang Seng terminou com baixa de 0,9%, a 25.329,73 pontos.
O índice japonês Nikkei caiu 0,15% em Tóquio, para 66.215,34 pontos,
enquanto o sul-coreano Kospi reverteu baixa e subiu 0,23% em Seul, para 6.835,80 pontos.
Já o Taiex subiu 1,8% em Taiwan, para 46.948,72 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto caiu 0,16%, para 3.979,89 pontos,
e o Shenzhen Composto perdeu 0,7%, para 2.548,37 pontos.
Na Austrália, com recuo de 0,10% do índice S&P/ASX 200 em Sydney, para 9.066,70 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve baixa de 0,94% em Wellington a 13.786,90 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve alta de 0,44% em Moscou a 2.188,55 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 0,017% em Bombaim a 76.944,28 pontos.
As bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda
Em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,32%, a 10789,28 pontos.
Em Frankfurt, o DAX caiu 1,14%, a 25958,31 pontos.
Em Paris, o CAC 40 recuou 0,39%, a 8301,85 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB cedeu 1,33%, a 51915,18 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,84%, a 19805,50 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,44%, a 9478,42 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires.
