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Dólar apaga perdas e fecha estável no Brasil sob influência do noticiário político
Após ceder abaixo dos R$5,10 pela manhã, o dólar fechou a quarta-feira estável no Brasil, com o mercado reagindo negativamente à indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Com os investidores à espera da decisão sobre juros do Banco Central, marcada para o início da noite, o dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de 0,04%, aos R$5,1283 na venda. Às 17h09, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais líquido -- subia 0,05% na B3, aos R$5,1600.
No início do dia, a nova pesquisa Genial/Quaest mostrou uma diferença menor entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto. Na projeção de segundo turno, Lula tem 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio, com margem de erro de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio somava 37%.
Em função da pesquisa e do exterior favorável, o dólar operou em queda ante o real, chegando a ser cotado abaixo dos R$5,10, mas o cenário mudou no fim da manhã, com o anúncio de Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio. Operador ouvido pela Reuters afirmou que Gaspar -- um nome que não vinha sendo ventilado como vice e que surpreendeu, já que a campanha buscava fortalecer Flávio entre o voto feminino -- não foi bem recebido.
Após marcar a cotação mínima de R$5,0975 (-0,64%) às 11h07, antes do anúncio, o dólar à vista se aproximou dos R$5,13 minutos depois da indicação, zerando as perdas. À tarde, às 14h21, a divisa atingiu o pico do dia, aos R$5,1348 (+0,09%).
No mercado, parte dos agentes ainda avalia que a reeleição de Lula seria um fator negativo para o equilíbrio fiscal. Assim, a piora do petista na pesquisa Genial/Quaest foi percebida como um fator baixista para o dólar ante o real. Por outro lado, uma notícia não tão favorável a Flávio, como a escolha de Gaspar para vice, foi um fator altista. Além de observarem o cenário político, os investidores aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a ser divulgada após as 18h30. O consenso é de que o BC reduzirá a taxa Selic em 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade dos cortes em setembro.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e esse diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente diante da perspectiva de alta de juros nos EUA e de novas baixas no Brasil.
No exterior, a expectativa de que possa haver um novo acordo entre EUA e Irã para paralisar o conflito no Oriente Médio alimentava a busca por moedas de países emergentes, como o peso colombiano e o peso mexicano, mas as variações eram modestas.Às 17h07 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- também cedia, para 99,699 (-0,16%).
Ibovespa fecha quase estável com pressão de Petrobras antes de decisão do Copom
O Ibovespa fechou quase estável nesta quarta-feira, com o declínio das ações da Petrobras ofuscando as performances positivas de papéis como Itaú Unibanco e RD Saúde em meio a avaliações positivas dos respectivos resultados trimestrais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,09%, a 177.726,17 pontos, após marcar 180.194,51 pontos na máxima e 177.690,45 pontos na mínima do dia. O pregão encerrou com agentes financeiros no aguardo da decisão do Banco Central sobre a taxa Selic, principalmente o comunicado que será divulgado ao final da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom).
Projeções no mercado apontavam expectativa de queda de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros do país para 14% ao ano. Na visão do sócio na Supernova Investimentos, João Debom, um corte na taxa Selic traz um alívio de curto prazo, mas o cenário ainda é de juros em patamar elevado e incerteza fiscal crescente conforme avança o calendário eleitoral de 2026.
"E agora também a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, que adiciona um ingrediente de risco que o mercado ainda não sabe bem como precificar", pontuou.
As bolsas dos Estados Unidos fecharam esta quarta-feira sem direção única.
Dow Jones subiu 0,49% (54.349,12 pontos) — novo recorde;
S&P 500 caiu 0,17% (7.723,55 pontos);
Nasdaq recuou 0,83% (26.363,44 pontos).
As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta quarta-feira
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,08%, a 10.888,30 pontos.
Em Frankfurt, o DAX caiu 0,24%, a 26.139,03 pontos.
Em Paris, o CAC 40 avançou 0,03%, a 8.669,30 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB cedeu 0,18%, a 53.446,80 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,16%, a 20.054,80 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,08%, a 9.176,10 pontos.
O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 0,03%, para 657,04 pontos, um novo recorde.
As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta quarta-feira
No Japão, o Nikkei subiu 3,66%, para 66.300,44 pontos.
Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 3,76%, para 6.598,26 pontos.
Em Taiwan, o Taiex ganhou 2,88%, a 44.611,60 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto avançou 1,47%, para 3.878,43 pontos,
Shenzhen Composto, menos abrangente, teve alta de 2,07%, a 2.537,55 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,24%, para 25.915,82 pontos.
Na Austrália, com alta de 0,90% do índice S&P/ASX 200 em Sydney, para 9.227,80 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve alta de 0,67% em Wellington a 13.997,18 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve alta de 1,24% em Moscou a 2.297,47 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve alta de 0,19% em Bombaim a 78.581,00 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires.
