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Dólar tem mais longa sequência de altas do ano e atinge maior cotação desde final de março
O dólar fechou a sessão desta sexta-feira em alta firme contra o real, na contramão do exterior, marcando a maior sequência de altas diárias do ano em meio a um movimento de aversão ao risco nos mercados brasileiros e acumulando na semana uma valorização de 2,7%.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,61%, aos R$5,2213 na venda, maior cotação desde 30 de março. Foi a quinta sessão consecutiva de alta -- mais longa sequência desde dezembro do ano passado, quando houve sete altas seguidas. No ano, a moeda norte-americana agora tem queda de 4,88% ante o real. Às 17h03, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,78% na B3, a R$5,242.
A desvalorização do real -- que nesta sessão acompanhou queda do Ibovespa e alta generalizada dos juros futuros -- se dá em meio a uma saída de capital do mercado brasileiro, à medida que grandes fundos reduzem sua exposição ao Brasil no período pré-eleitoral. Após saldo positivo em julho, dados da B3 mostram uma saída líquida de R$13,56 bilhões em capital externo da bolsa em agosto até o dia 12.
Em meio a preocupações com as perspectivas fiscais no país e as incertezas em torno das eleições presidenciais, o mercado aguardava nesta sexta a divulgação da primeira pesquisa Quaest contratada pela TV Globo sobre a eleição de outubro, prevista para o final do dia.
Já no exterior o dólar tinha queda após dados dos EUA mostrando uma queda inesperada das vendas no varejo em julho reforçarem apostas do mercado de que o Federal Reserve não elevará a taxa de juros em setembro. O indicador veio após dados benignos de inflação nos EUA esta semana já terem contribuído para essa tendência. Às 17h15, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,27%, a 99,652.
Ainda assim, o aumento das tensões no Oriente Médio afetava o humor dos investidores e impulsionava os futuros do petróleo Brent. Os Estados Unidos disseram que podem manter indefinidamente um bloqueio naval contra o Irã e aumentar a pressão econômica sobre o país, enquanto as negociações de cessar-fogo permanecem paralisadas -- cenário que se soma aos ataques a mais dois navios no Estreito de Ormuz, o que deixou o tráfego na região praticamente parado.
Ibovespa fecha semana com maior série de perdas diárias desde 2023
O Ibovespa reduziu as perdas no fim do pregão, mas ainda fechou em queda nesta sexta-feira, a nona seguida, em meio à saída de estrangeiros da bolsa paulista, com o último pregão da semana também marcado por vencimento de opções sobre ações e repercussão de balanços.O movimento recente mais negativo tem como pano de fundo preocupações com o efeito do nível elevado de juros na atividade econômica e a perspectiva fiscal do país, além de incertezas eleitorais e geopolíticas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,1%, a 166.934,20 pontos, acumulando uma perda de 3,23% na semana. Na mínima do dia, chegou a 164.835,38 pontos. Na máxima, a 167.099,46 pontos. O volume financeiro nesta sexta-feira somou R$30,08 bilhões.
Com tal desempenho, o Ibovespa completou a maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023. Na atual sequência de nove baixas, acumulou um declínio de 6,22%, que reduziu ainda mais a alta no ano, agora para 3,61%. O movimento dos estrangeiros tem sido determinante para o ajuste negativo. Após saldo positivo em julho, dados da B3 mostram uma saída líquida de R$13,56 bilhões em capital externo da bolsa em agosto até o dia 12.
De acordo com o especialista em mercado de capitais Josias Bento, sócio da GT Capital, o estrangeiro segue tirando dinheiro da bolsa e voltando para mercados mais maduros como EUA, com alocações mais voltadas para tecnologia e inteligência artificial.
Ele ressaltou, contudo, que a eleição presidencial no país também está no radar, trazendo muita volatilidade para o Ibovespa, "além do fiscal, que segue indefinido e sem um plano de contingência para os próximos anos".
"Tudo isso está fazendo o Ibovespa entregar praticamente toda a alta de 2026", acrescentou, lembrando que o Ibovespa chegou a se aproximar dos 200 mil pontos mais cedo no ano. Em meados de abril, superou 199 mil pontos pela primeira vez no intradia.
O S&P 500 fechou em baixa
O S&P 500 recuou 0,17%, encerrando o pregão em 7.785,76 pontos.
O Nasdaq caiu 0,28%, para 26.729,16 pontos,
Dow Jones Industrial Average perdeu 0,20%, para 53.732,41 pontos.
Na semana, o S&P 500 subiu 0,4% e o Nasdaq avançou 0,1%.
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única
O índice sul-coreano Kospi avançou 2,42% em Seul, para 6.977,94 pontos.
No Japão, o Nikkei teve alta modesta de 0,59%, para 68.713,80 pontos.
Hang Seng caiu 1,10% em Hong Kong, a 25.116,85 pontos.
Taiex recuou 0,46% em Taiwan, para 45.811,01 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto ficou estável, com ganho marginal de 0,01%, a 3.927,18 pontos,
Shenzhen Composto, menos abrangente, subiu 0,33%, para 2.590,21 pontos.
Wall Street terminou em alta generalizada ontem, liderada pelo Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, após dados do PPI (inflação ao produtor) dos EUA abaixo do esperado reduzirem a perspectiva de alta de juros pelo Fed (Federal Reserve).
Na Austrália, com queda de 0,80% do S&P/ASX 200, para 9.115,20 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve alta de 0,21% em Wellington a 13.854,38 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve baixa de 4,18% em Moscou a 2.138,87 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 0,091% em Bombaim a 78.009,25 pontos.
As bolsas europeias operaram sem fôlego
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,21%, a 10.750,11 pontos.
Em Frankfurt, o DAX subiu 0,51%, a 26.432,86 pontos.
Em Paris, o CAC 40 recuou 0,16%, a 8.636,80 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB teve baixa de 0,20%, a 53.583,61 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,12%, a 20.144,35 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 fechou estável, a 9.254,52 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires.
