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Dólar fecha em queda no Brasil em linha com exterior após Tesouro dos EUA anunciar recompra de títulos
O dólar fechou a quarta-feira em queda firme contra o real, refletindo a fraqueza da divisa norte-americana no mercado internacional desencadeada por anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que irá dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos.
O dólar à vista fechou em queda de 0,86%, aos R$5,1777 na venda. Às 17h31, o contrato de dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- caía 0,72% na B3, aos R$5,1920.
Nesse mesmo horário, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,83%, a 98,817. Nesta quarta-feira, o Tesouro norte-americano anunciou a duplicação do volume das recompras de títulos com vencimentos de 10 a 30 anos para pelo menos US$4 bilhões por operação entre 9 de setembro e 4 de novembro.
O movimento se deu um dia após uma grande onda de vendas de títulos ter derrubado o preço dos papéis e empurrado o rendimento dos títulos de 30 anos para seu nível mais alto desde 2007, em meio a temores de uma escalada iminente na guerra dos EUA e Israel contra o Irã e crescentes preocupações com a deterioração do quadro fiscal dos EUA.
Segundo a estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, quando o Tesouro anuncia que vai comprar ativamente esses papéis, ele gera uma demanda artificial que eleva o preço dos títulos. "O reflexo dessa queda nos juros americanos é a perda de força do dólar frente às outras moedas globais", disse a estrategista.
"Grande parte do capital mundial estava estacionada nos Estados Unidos aproveitando justamente aquelas taxas de juros altíssimas e extremamente seguras. Quando o Tesouro atua para derrubar esses juros longos, o dólar perde parte do seu apelo. Isso faz com que investidores saiam de lá em busca de rentabilidade em mercados emergentes, como o Brasil", completou Nossig.
Para o estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, o movimento dos Títulos dos EUA potencializou um esperado ajuste no mercado de câmbio doméstico. "O mercado ficou meio sobrevendido, com muita saída de gringo. Então é natural que aconteça um 'rebound'", disse Spiess, referindo-se à forte desvalorização do real observada na semana passada, a qual foi motivada pela intensa saída de capital estrangeiro do mercado local por conta da cautela gerada pelo cenário eleitoral, que segue no radar, em meio a preocupações fiscais.
Em segundo plano, o mercado também avaliou nesta quarta-feira a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, divulgada no meio da tarde. O documento mostrou que a preocupação com a inflação se aprofundou na reunião do Fed no mês passado, com "vários" formuladores de política monetária dispostos a aumentar as taxas de juros e "muitos" afirmando que um aumento nos custos de empréstimos seria necessário caso a inflação não caísse para a meta de 2% do banco central dos EUA.
Ibovespa fecha em alta com alívio nos Tresuries e encerra maior série de perdas desde 2023
O Ibovespa encerrou em alta nesta quarta-feira, em meio ao forte alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, encerrando uma série de 11 fechamentos negativos, mas sem conseguir sustentar o patamar dos 170 mil pontos alcançado no melhor momento do dia.
Incertezas em torno do cenário eleitoral, em um ambiente de preocupações com o quadro fiscal e o nível dos juros no país, bem como potencial desaceleração da atividade econômica, continuam pesando no pregão brasileiro, assim como a forte saída de capital externo em agosto.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,9%, a 167.830,27 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, porém, chegou a 170.340,60 pontos. Na mínima, alcançou 166.334,73 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$27,49 bilhões. Nos 11 pregões anteriores, quando registrou a maior série de perdas diárias desde 2023, o Ibovespa acumulou uma queda de 6,55%.
Os principais índices do mercado acionário dos EUA fecharam com alta modesta
O Índice Dow Jones Industrial Average subiu 0,22%, para 53.463,05 pontos,
S&P 500 avançou 0,21%, para 7.707,98 pontos,
Nasdaq Composite registrou alta de 0,16%, para 26.331,09 pontos.
O setor de saúde do S&P 500 fechou com alta de 3,5%, registrando seu maior ganho percentual em um único dia desde abril de 2025. O setor também atingiu uma alta recorde e proporcionou o maior impulso ao S&P 500 entre todos os seus 11 principais setores industriais. O índice de biotecnologia do Nasdaq também subiu 6,4%.
As bolsas europeias fecharam sem direção única
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,14%, a 10.743,35 pontos.
Em Frankfurt, o DAX ganhou 0,01%, a 26.129,78 pontos.
Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,09%, a 8.501,91 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB teve queda de 0,75%, a 52.618,20 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 cedeu 0,55%, a 19.825,07 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,71%, a 9.238,90 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa
O índice sul-coreano Kospi liderou as perdas, com queda de 5,80%, para 6.471,17 pontos.
Em Tóquio, o Nikkei recuou 3,16%, para 65.326,42 pontos.
O Xangai Composto, principal índice da China continental, caiu 2,40%, para 3.894,42 pontos.
O Shenzhen Composto, menos abrangente, tombou 4,86%, para 2.507,25 pontos.
Taiex recuou 1,30% em Taiwan, a 44.719,35 pontos.
Hang Seng registrou alta marginal de 0,09% em Hong Kong, a 25.495,07 pontos.
Na Austrália em baixa de 0,18%, com o índice S&P/ASX 200 caindo para 9.053,80 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve alta de 0,46% em Wellington a 13.929,67 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve alta de 1,23% em Moscou a 2.174,60 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 0,42% em Bombaim a 76.909,68 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires.
