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Dólar sobe para perto dos R$5,10 com influência de exterior e tarifa dos EUA
O dólar fechou a quinta-feira em alta no Brasil, pouco abaixo dos R$5,10, refletindo o avanço da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior e as preocupações em torno da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,40%, aos R$5,0984. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,12% ante o real. Às 17h08, o dólar futuro para agosto -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro - subia 0,35% na B3, aos R$5,1170.
Pela manhã, os EUA informaram que foram feitos 208 mil pedidos de auxílio-desemprego no país na semana passada, menos que os 217 mil projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Em outra divulgação, os EUA informaram que as vendas no varejo subiram 0,2% em junho, em linha com o esperado. Após os números, que sugerem uma economia resiliente nos EUA, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, atingindo os picos do dia, e o dólar avançou ante as demais divisas, incluindo o real.
No Brasil, este movimento teve respaldo ainda das preocupações do mercado em torno da tarifa de 25% dos EUA sobre uma série de produtos brasileiros a partir de 22 de julho, conforme anunciado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês). Ainda que a lista de exceções seja mais ampla que o esperado, a tarifação de produtos como etanol, máquinas agrícolas, papel e aço tem potencial para afetar setores específicos da economia brasileira, impactando o fluxo de dólares para o país.
"Mas a movimentação (do dólar ante o real) hoje é mais por conta do fator externo do que qualquer outra coisa", pontuou Jonathan Joo Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset. "Com certeza (a tarifação) é uma pressão para eventual piora do real, mas o movimento de hoje não se resume a isso. O DXY (índice do dólar) está com tendência de alta", reforçou.
Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,0824 (+0,08%) às 9h01, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1151 (+0,73%) às 14h13, em um momento em que a moeda norte-americana já havia firmado ganhos ante outras divisas no exterior. "Por mais que os EUA tenham isentado da tarifa vários produtos, ter tarifa nunca é bom", pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. "Mas este anúncio dos EUA já era esperado. Então, (a tarifa) tem importância na composição da cotação de hoje, mas não foi um efeito tão forte não", avaliou Jefferson, acrescentando que o exterior foi, de fato, o principal vetor para o avanço do dólar.
No fim da tarde, o dólar seguia em alta ante moedas pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h12, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,28%, a 100,740. No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações no Brasil, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.
Ibovespa fecha em queda de mais de 1% pressionado por Vale e Itaú
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, pressionado principalmente pelas ações das blue chips Vale e Itaú Unibanco, com a penúltima sessão da semana também marcada pela repercussão do anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos para o Brasil.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,24%, a 173.825,27 pontos, tendo marcado 173.536,57 na mínima e 176.011,31 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$18,92 bilhões. Os EUA anunciaram no final da noite de quarta-feira a imposição de tarifas de 25% sobre muitas importações do Brasil, ao mesmo tempo em que divulgaram uma lista de exceções mais ampla do que o esperado. As novas tarifas devem entrar em vigor em 22 de julho.
Na visão de analistas, os impactos econômicos tendem a ser limitados na economia e na bolsa paulista. "As tarifas impactam pontualmente alguns setores de forma muito forte, mas, quando olhamos para a bolsa no consolidado, esse impacto não é tão significativo", destacou o analista João Daronco, da Suno Research, em e-mail para comentar a notícia. Ele chamou a atenção para o fato de que grandes empresas listadas na B3 como Vale e Suzano têm suas operações mais relacionadas com a China do que com os EUA, assim como os bancos -- que têm peso relevante no Ibovespa -- têm pouca relação com a América do Norte.
"Ao olhar alguns ativos que poderiam ter mais impacto, como carnes e aeronaves, caso de Embraer e de alguns frigoríficos, fica evidente que a exclusão deles da lista acaba por diminuir ainda mais o impacto possível que essa nova tarifa teria dentro do Ibovespa", acrescentou.
Para a equipe do JPMorgan, o atual cenário sugere que os impactos econômicos das tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados, "embora uma escalada de medidas de retaliação entre os dois países possa ampliar esses custos". Eles também avaliam que os efeitos políticos podem ser mais relevantes, especialmente no contexto das eleições no Brasil em outubro, conforme relatório enviado a clientes nesta quinta-feira.
O barril do petróleo Brent caiu 0,82%, a US$78,95, revertendo a alta registrada em parte do pregão, quando teve suporte em notícia de que o Irã pediu ao movimento houthi do Iêmen que esteja pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho se os EUA atacarem infraestrutura energética iraniana.
Wall Street fecha em baixa com fraqueza do setor de chips ofuscando resultados sólidos e dados econômicos
As ações do setor de chips puxaram o Nasdaq e o S&P 500 para baixo nesta quinta-feira, continuando a liderar os movimentos do mercado como um todo, apesar dos dados econômicos dos EUA, de modo geral positivos, e de um início sólido da temporada de resultados do segundo trimestre. Entre os 11 principais setores do S&P 500, o de tecnologia recuou 1,8%, com uma queda de 4,3% nas ações de chips pesando fortemente sobre o setor e o mercado. As oscilações diárias no setor de chips têm ditado cada vez mais o movimento geral dos principais índices acionários dos EUA, particularmente o Nasdaq, que tem forte presença de empresas de tecnologia.
O Índice Dow Jones Industrial Average caiu 0,20%, para 52.553,32 pontos,
S&P 500 perdeu 0,51%, para 7.533,77 pontos,
Nasdaq Composite recuou 1,47%, para 25.881,95 pontos.
As bolsas europeias fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, 16
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,54%, a 10.572,24 pontos.
Em Frankfurt, o DAX caiu 0,53%, a 24.866,46 pontos.
Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,05%, a 8.377,86 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,07%, a 52.373,96 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,25%, a 19.227,80 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,52%, a 9.037,45 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira (16)
Sul-coreano Kospi caiu 6,37%, a 6.820,60 pontos.
O japonês Nikkei recuou 2,79% em Tóquio, a 66.835,54 pontos.
Taiex registrou baixa marginal de 0,01% em Taiwan, a 45.624,98 pontos.
Na China continental: o Xangai Composto caiu 1,85%, a 3.882,41 pontos,
Shenzhen Composto recuou 1,51%, a 2.568,83 pontos.
O Hang Seng avançou 1,33% em Hong Kong, a 25.008,60 pontos.
Na Austrália pregão estável, com o índice S&P/ASX 200 em 8.840,70 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve baixa de 0,15% em Wellington a 13.614,78 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve baixa de 4,26% em Moscou a 2.021,90 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve alta de 0,0019% em Bombaim a 77.186,87 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires/Reuters.
