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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Mercado financeiro Dólar, Ibovespa e Bolsas: 29/05/26

Bitcoin: R$ 370.717,00 Reais e US$ 73.422,75 Dólares.

Dólar comercial: R$ 5,0424
Dólar turismo: R$ 5,2459
Euro comercial: R$ 5,881
Libra: R$ 6,805

Dólar sobe em dia negativo para ativos brasileiros e acumula alta de 1,82% em maio

O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil, ‌em uma sessão no geral negativa para os ativos brasileiros, com fluxo de saída de estrangeiros da bolsa e cautela em relação ao cenário econômico, enquanto no exterior os agentes aguardavam por um desfecho nas negociações entre EUA e Irã.

A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com alta de 0,24%, aos R$5,0453. Na semana, o dólar acumulou ganho de 0,27% e, em maio, alta de 1,82%.  Às 17h31, o dólar futuro para julho -- que nesta sessão passou a ser o mais líquido ⁠no mercado brasileiro - cedia 0,18% na B3, aos R$5,0700.

Na primeira metade do dia parte dos agentes operou tendo como foco a ‌determinação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a ‌níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das ‌cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Em meio à disputa, a moeda norte-americana à vista atingiu a ⁠cotação máxima da sessão de R$5,0722 (+0,77%) às 11h51.
Definida a Ptax (R$5,0563 para compra e R$5,0569 para venda) no início da tarde, o dólar passou a oscilar sem a influência técnica da disputa, mas se manteve no território positivo, em uma sessão de perdas para os ativos locais.

"Quando olhamos para o cenário externo, estamos em um dia positivo para ativos norte-americanos, com os índices de ações subindo, mas mais uma vez os ativos domésticos estão sofrendo. O Ibovespa está em mais uma semana de queda ‌e o dólar sobe", comentou durante a tarde Tadeu Arantes, head de alocação da gestora Ghia.

"Este movimento é explicado pela dinâmica ‌de fluxo externo. O rali anterior de ⁠ativos brasileiros foi explicado pela rotação ⁠de fluxo global, que foi destinado para países emergentes, mas a narrativa que beneficiou o Brasil mudou um pouco agora", acrescentou Arantes. "O ⁠fluxo de investimentos para emergentes continua, mas para países que se beneficiam ‌mais da inteligência artificial, como Taiwan e ‌Coreia do Sul, enquanto o Brasil acaba ficando para trás."

De fato, de janeiro a abril a bolsa brasileira havia recebido R$42,4 bilhões em investimentos estrangeiros, excluindo operações com novas ofertas de ações e ofertas iniciais. Somente em maio, até o dia 27, saíram da bolsa R$14,1 bilhões em investimentos estrangeiros. Este fluxo de saída acaba impactando o ⁠câmbio. Outro ponto de atenção nesta sexta-feira foi a notícia de que os EUA vão designar como terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Para além das implicações políticas, ainda não estão claros os efeitos macroeconômicos e sobre as empresas que atuam no Brasil, mas há a percepção de que os prêmios de risco para os ativos brasileiros podem aumentar.  "É um fator a mais a ser considerado na hora de ‌o estrangeiro alocar no Brasil", avaliou Arantes.

Na agenda de indicadores, destaque para o avanço de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026 ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de ⁠2025. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam avanço de 1,0% no primeiro trimestre deste ano. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,8%, em linha com a expectativa.

O resultado reforçou as preocupações com a inflação, colocando em dúvida a continuidade do ciclo de cortes da taxa básica Selic nos próximos meses. Atualmente a Selic está em 14,50% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil.

No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou em uma publicação nas redes sociais que tomará ainda nesta sexta-feira uma decisão final sobre um acordo entre EUA e Irã, enquanto uma fonte iraniana disse que um entendimento político entre os dois países ainda não foi finalizado.

Com os mercados à espera de uma definição, no fim da tarde o dólar tinha sinais mistos ante as demais moedas no exterior. Às 17h31, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,06%, a 98,932. 

Ibovespa fecha abaixo de 174 mil pontos e tem pior mês desde 2023 com saída de estrangeiros

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, acumulando a sétima semana negativa seguida e confirmando o pior desempenho mensal desde ‌2023, em uma correção ditada pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira. 

Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa caiu 0,73%, a 173.787,49 pontos, somando uma perda de 1,37% na semana e de 7,22% em maio. A série de perdas semanais é a maior desde uma sequência também de sete quedas entre abril e maio de 2004. De acordo com dados da LSEG, considerando a série histórica até 1982, o Ibovespa nunca caiu por mais do que sete semanas consecutivas.

A queda no mês foi a maior desde o declínio registrado em fevereiro de 2023 (-7,49%) -- um movimento que tem como pano de fundo um saldo de capital externo negativo em R$14,1 bilhões em maio até o dia 27, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons). Estrategistas têm apontado que o desempenho de maio reflete uma rotação de volta para o ⁠setor de tecnologia nos EUA e Ásia, bem como perspectiva de um ciclo de cortes mais lento da Selic e incerteza com o cenário eleitoral.

O UBS cortou a recomendação das ações brasileiras de "atrativas" para "neutra" nesta ‌semana, citando uma mudança no perfil de risco versus retorno, enquanto mantém uma visão positiva para mercados emergentes da uma forma mais ampla.

"Três fatores adversos convergentes agora alteram, em nossa visão, o equilíbrio de risco-retorno: o aumento da incerteza política relacionada às eleições, um ciclo de afrouxamento monetário do BC mais curto e menos intenso, e a aceleração do afrouxamento fiscal no período pré-eleitoral", pontuou a equipe ‌do banco em relatório. "Embora os fundamentos permaneçam resilientes, essas dinâmicas devem manter o equilíbrio entre risco e retorno até a eleição ‌de outubro."

O desempenho em maio poderia ter sido pior, uma vez que o Ibovespa chegou a 172.686,36 pontos na mínima desta sexta-feira, menor patamar intradia desde 22 de janeiro. Na máxima, ⁠marcou 175.064,44 pontos. O volume financeiro nesta sexta-feira na bolsa somou R$46,67 bilhões, influenciado por operações relacionadas ao rebalanceamento de índices MSCI Global Standard que passou a vigorar no fechamento desta sexta-feira. No caso do MSCI Brasil, foram incluídas as ações do Itaú Unibanco e da Aura Minerals e excluído o papel da Totvs.

O último pregão da semana incluiu a análise de dados do PIB brasileiro no primeiro trimestre, que mostraram a atividade econômica acelerando ante o final de 2025, bem como repercussão da decisão dos Estados Unidos de designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como "Organizações Terroristas Estrangeiras".

Os ‌principais índices de Wall Street atingiram novos recordes de fechamento

O Dow Jones Industrial Average subiu 0,72%, para ‌51.032,34 pontos, o S&P 500 ganhou 0,22%, para 7.580,07 pontos, e o Nasdaq Composite avançou 0,21%, para 26.972,62 pontos. O ‌índice Russell 2000 de pequena capitalização caiu ⁠0,6%.

Durante a semana, o ⁠S&P 500 ganhou 1,43%, o Nasdaq subiu 2,39% e o Dow avançou 0,9%. O índice Russell 2000 subiu 1,72%. No ⁠mês, o S&P 500 ganhou 5,15%, o Nasdaq teve ‌alta de 8,36% e o Dow ‌subiu 2,78%. O índice Russell 2000 subiu 4,24%. 

As bolsas europeias fecharam sem direção única 

Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,16%, a 10.409,28 pontos. 
Em Frankfurt, o DAX subiu 0,08%, a 25.113,06 pontos. 
Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,07%, a 8.183,34 pontos. 
Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,42%, a 50.036,75 pontos. 
Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,75%, a 18.415,90 pontos. 
Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,12%, a 9.076,53 pontos. 

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta 

Nikkei subiu 2,53%, para o patamar inédito de 66.329,50 pontos.
Em Seul, o sul-coreano Kospi avançou 3,55%, a 8.476,15 pontos.
Hang Seng registrou alta de 0,70% em Hong Kong, a 25.182,39 pontos.
Taiex subiu 2,51% em Taiwan, a 44.732,94 pontos.

China continental: o Xangai Composto recuou 0,73%, a 4.068,57 pontos, 
Shenzhen Composto teve queda de 1,90%, a 2.805,62 pontos.

Na Austrália o S&P/ASX 200 avançou 1,62% em Sydney, a 8.731,70 pontos.
Na Nova Zelândia, o NZX 50, teve alta de 0,29% em Wellington a 13.244,55 pontos.
Na Russia, o MOEX Russia Index, teve baixa de 0,70% em Moscou a 2.565,70 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 1,44% em Bombaim a 74.775,74 pontos.

Fontes: Dow Jones Newswires/Reuters.

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