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Dólar fecha estável, abaixo de R$5,00, com mercado à espera de desfecho para a guerra
Em mais um dia de espera pelo desfecho das conversas entre EUA e Irã, o dólar encerrou a quinta-feira estável ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante outras divisas de países emergentes.
O dólar à vista fechou o dia com variação positiva de apenas 0,01%, aos R$4,9934. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 9,03% ante o real. Às 17h19, o dólar futuro para maio DOLc1 -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,08% na B3, aos R$5,0085.
Ao longo do dia, investidores ao redor do mundo reagiram ao noticiário sobre a guerra e seus ruídos.Fontes iranianas disseram à Reuters que os negociadores de EUA e Irã reduziram suas ambições em relação a um acordo de paz abrangente, após as conversas do último fim de semana, em Islamabad, não terem avançado. Os dois países estariam agora buscando um memorando temporário para evitar o retorno do conflito no curto prazo.
À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel -- também envolvidos nos conflitos que se espalharam pelo Oriente Médio -- e disse que a próxima reunião entre norte-americanos e iranianos pode ocorrer no fim de semana.
Neste cenário, o dólar à vista oscilou em margens estreitas no Brasil, entre a mínima de R$4,9855 (-0,14%) às 9h46 e a máxima de R$5,0154 (+0,45%) às 11h56.No exterior, o dólar subia no fim da tarde ante o peso chileno e o rand sul-africano, mas caía ante o peso colombiano e a rupia indiana, em um sinal de que o noticiário sobre a guerra não trouxe gatilhos fortes para definir uma tendência única. No Brasil, profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias têm pontuado que, ao ceder abaixo dos R$5,00, o dólar ficou com menos espaço para continuar a trajetória de queda.
"O investidor estrangeiro olha muito menos para o mercado interno. Ele está menos sensível às eleições e ao rombo fiscal, na comparação com o investidor local. Isso acaba fortalecendo o fluxo estrangeiro", comentou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, ao avaliar os recuos recentes da moeda norte-americana.
"Mas o dólar está muito próximo de um fundo. Nós não vemos muito mais espaço para cair, e deve ocorrer uma reversão até o fim do ano, até pelo cenário interno, de eleições", acrescentou. Pela manhã, o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, ficando acima da expectativa de economistas ouvidos pela Reuters de alta de 0,47%.
Na renda fixa, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registraram leves ganhos após o IBC-Br acima do esperado, com investidores consolidando apostas de que o BC cortará a taxa básica Selic em apenas 25 pontos-base no fim do mês. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.
Ibovespa recua em novo pregão de ajustes, mas Petrobras atenua perda
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, em mais um pregão de ajustes após renovar recordes no começo da semana, mas o movimento foi atenuado pelo desempenho robusto de Petrobras, em meio ao avanço do petróleo e assembleia de acionistas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,46%, a 196.818,59 pontos, tendo marcado 198.586,57 pontos na máxima e 196.353,98 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$30,6 bilhões.
S&P 500 e Nasdaq atingem novos recordes com esperanças sobre o Oriente Médio em foco
O índice de referência S&P 500 e o Nasdaq, de alta tecnologia, subiram modestamente, atingindo recordes de fechamento pelo segundo dia consecutivo nesta quinta-feira, com o otimismo de que o pior do conflito no Oriente Médio havia passado, depois que Israel concordou com um cessar-fogo temporário com o Líbano e o presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que os EUA e o Irã poderiam se reunir novamente no fim de semana.
Mas os negócios ficaram voláteis depois que Trump anunciou o cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Líbano e disse aos repórteres que o Irã havia se oferecido para não ter armas nucleares por mais de 20 anos. Mais cedo, a Bloomberg citou autoridades do Golfo Pérsico e da Europa dizendo que os EUA precisam de cerca de seis meses para chegar a um acordo com o Irã.
"Os mercados estão flutuando entre manchetes mais positivas e ligeiramente neutras", disse Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, em Charlotte, Carolina do Norte, observando que, no último mês e meio, "as negociações têm sido todas sobre a guerra contra o Irã".
De acordo com dados preliminares, o S&P 500 ganhou 0,24%, para terminar em 7.040,09 pontos, enquanto o Nasdaq Composite avançou 0,34%, para 24.097,00 pontos. O Dow Jones Industrial Average subiu 0,21%, para 48.565,09 pontos. O Nasdaq e o S&P 500 atingiram recordes intradiários. O ganho do Nasdaq representou seu 12º avanço consecutivo, sua mais longa sequência de altas desde julho de 2009.
As bolsas da Europa fecharam sem direção única
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,29%, a 10.589,99 pontos.
Em Frankfurt, o DAX subiu 0,35, a 24.150,54 pontos.
Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,14%, a 8.262,70 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,27%, a 48.026,94 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,48%, a 18.098,10 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 cedeu 1,21%, a 9.232,52 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam em alta
O índice japonês Nikkei subiu 2,38% em Tóquio, ao patamar inédito de 59.518,34 pontos.
Kospi avançou 2,21% em Seul, a 6.226,05 pontos.
Hang Seng registrou ganho de 1,72% em Hong Kong, a 26.394,26 pontos.
Taiex garantiu alta de 1,12% em Taiwan, a 37.132,02 pontos.
Na Oceania, a bolsa australiana o S&P/ASX 200 recuou 0,26% em Sydney, a 8.955,00 pontos.
Em Moscou, o MOEX Russia Index, teve alta de 0,02% a 2.740,98 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 0,16% a 77.988,68 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,70%, a 4.055,55 pontos.
Shenzhen Composto avançou 1,80%, a 2.733,57 pontos.
Fontes: Dow Jones Newswires/Reuters.
