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Dólar cai ao menor valor desde maio de 2024 em meio a forte fluxo estrangeiro para a bolsa
O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira foi mais uma vez decisivo para a queda do dólar ante o real nesta quarta-feira, em movimento que esteve em sintonia com recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.
O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,20%, aos R$5,1872 -- o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,50%. Às 17h03, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- caía 0,17% na B3, aos R$5,2025. Após abrir a sessão em baixa, o dólar à vista zerou as perdas no Brasil e chegou a ser cotado na máxima de R$5,2044 (+0,13%) às 10h33, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, após a divulgação do relatório de empregos payroll nos EUA.
O documento mostrou que a economia norte-americana gerou 130 mil postos de trabalho em janeiro, bem acima da projeção de 70 mil vagas apontada em pesquisa da Reuters com economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,3% em janeiro, ante projeção de 4,4%. Em reação aos números, os rendimentos dos Treasuries passaram a registrar altas fortes e o dólar ganhou força, em meio à leitura de que o espaço para cortes de juros nos EUA diminuiu. No entanto, o forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa voltou a ditar o ritmo dos negócios no Brasil, com o dólar à vista atingindo a mínima de R$5,1697 (-0,54%) às 11h09 -- em um momento em que o Ibovespa superava recordes históricos.
“Há um fluxo financeiro forte para emergentes, com o dólar perdendo valor globalmente. No Brasil, a bolsa está renovando recordes sequenciais, e aí não tem jeito: é muita oferta de dólar e o preço vem para baixo mesmo”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. Ainda que a queda tenha desacelerado até o encerramento da sessão, o dólar terminou em leve baixa ante o real, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso colombiano.
Às 17h04, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,04%, a 96,877. Pela manhã, durante evento do BTG Pactual em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, repetiu que a instituição pretende começar a "calibragem" da taxa de juros a partir de março, mas evitou dar sinais sobre o que será feito no restante do ano.
No fim de janeiro, o BC manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses. No fim da manhã, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março. À tarde, a instituição informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$294 milhões na última semana.
Ibovespa ultrapassa 190 mil pela 1ª vez embalado por estrangeiros
O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta quarta-feira, ultrapassando a marca de 190 mil pontos pela primeira vez, em movimento tracionado pelas blue chips como Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, na esteira do persistente fluxo de capital externo para as ações brasileiras.
O noticiário corporativo reforçou o viés positivo, com Suzano disparando mais de 13% após resultado forte e expectativas otimistas para a demanda de celulose, enquanto TIM saltou 8%, também refletindo a repercussão a números melhores do que o previsto no último trimestre do ano passado.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,22%, a 190.058,97 pontos, segundo dados preliminares, marcando 190.561,18 no melhor momento, novo recorde intradia, após superar na sessão os 188 mil e os 189 mil pontos pela primeira vez. Na mínima, registrou 185.936,27 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$34,9 bilhões antes dos ajustes finais.
Wall Street recua após dados fortes de emprego abalarem apostas no corte de juros do Fed
O índice S&P 500 fechou praticamente inalterado nesta quarta-feira, conforme um relatório de emprego melhor do que o esperado amenizou preocupações com a economia, mas também alimentou apostas de que o Federal Reserve pode desacelerar seus cortes na taxa de juros.
De acordo com dados preliminares, o S&P 500 registrou variação negativa de 0,01%, para 6.940,88 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq perdeu 0,18%, para 23.060,97 pontos. O Dow Jones caiu 0,14%, para 50.117,58 pontos.
As bolsas europeias encerraram predominantemente em queda
Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 1,14%, a 10.472,11 pontos.
Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,43%, a 18.044,50 pontos.
Em Frankfurt, o DAX perdeu 0,53%, a 24.856,15 pontos.
Em Paris, o CAC 40 recuou 0,18%, a 8.313,24 pontos.
Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,62%, a 46.510,83 pontos.
Em Lisboa, o PSI 20 teve alta de 1,31%, a 9.070,52 pontos.
Em Moscou, o MOEX Russia Index, teve alta de 1,52% a 2.758,28 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta
Taiex subiu 1,61% em Taiwan, a 33.605,71 pontos.
O sul-coreano Kospi avançou 1% em Seul, a 5.354,49 pontos.
Hang Seng teve ganho de 0,31% em Hong Kong, 27.266,38 pontos.
No Japão, não houve negócios hoje em função de um feriado nacional.
Na China continental, O Xangai Composto registrou alta marginal de 0,09%, a 4.131,98 pontos,
enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,24%, a 2.695,16 pontos.
Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul,O S&P/ASX 200 avançou 1,66% em Sydney, a 9.014,80 pontos.
Na Índia, o S&P BSE Sensex, teve baixa de 0,048% a 84.233,64 pontos.
Fontes: Reuters/Dow Jones Newswires.
