O dólar subiu frente ao real nesta sexta-feira, acumulando ganhos na semana e ficando a pouca distância de fechar acima dos 5 reais, depois que dados norte-americanos recentes impuseram um clima cauteloso antes da reunião de política monetária do Federal Reserve da semana que vem.
A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 0,22%, a 4,9986 reais na venda, depois de ter chegado a superar os 5 reais nas máximas do pregão. Na semana, o dólar acumulou alta de 0,34%.
Boa parte desses ganhos veio depois que dados mostraram na quinta-feira que o índice de preços ao produtor para a demanda final dos EUA subiu mais do que o esperado em fevereiro, enquanto as vendas no varejo subiram menos do que o esperado, mas ainda representaram uma aceleração frente ao mês anterior.
"Os dados divulgados têm um impacto direto na forma como o mercado interpreta o comportamento do Federal Reserve e quando se dará o início do corte de juros... prejudicaram a confiança nas perspectivas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve este ano", disse Bruno Nascimento, analista da B&T Câmbio.
"Para finalizar a semana, nos resta aguardar a Superquarta."
O Federal Reserve encerrará na quarta-feira que vem sua reunião de política monetária de dois dias, e a expectativa predominante segue sendo de que o Fed manterá sua taxa básica inalterada até um primeiro corte em junho, embora os dados da véspera tenham levado alguns operadores a adiar as apostas para o início do afrouxamento monetário.
O Citi disse em relatório nesta sexta-feira que, após os dados de inflação ao produtor norte-americano mais elevados, aumentou o risco de o Fed alterar as projeções para um eventual ciclo de corte de juros. No entanto, "para dividas de mercados emergentes, o ambiente global continua favorável ao 'carrego', e continuamos negociando os ativos de alto rendimento da América Latina no lado comprado", disseram economistas do banco em relatório.
"Carrego" é o nome dado ao retorno que se pode obter de estratégias de "carry trade", em que se toma empréstimos em país de juros baixos e se aplica esse dinheiro em mercados mais rentáveis, de forma que se lucra com a diferença de taxas.
Enquanto isso, no Brasil, é consenso que o Banco Central reduzirá a Selic novamente em 0,50 ponto percentual, a 10,75%, quando encerrar sua reunião de política monetária na semana que vem, também na quarta-feira.
Apesar dessa certeza, economistas estão atentos a possíveis mudanças na orientação da autarquia sobre seus próximos passos, mostrou uma pesquisa da Reuters nesta sexta-feira.
O Ibovespa fechou em baixa nesta sexta-feira, com agentes financeiros adotando cautela antes de reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos na próxima semana, enquanto Yduqs e Lojas Renner figuraram entre as maiores quedas após a divulgação de resultados.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,74 %, a 126.741,81 pontos, acumulando um declínio de 0,26% na semana. Na máxima do dia, chegou a 127.957,49 pontos. Na mínima, a 126.501,85 pontos.
O volume financeiro somou 34,7 bilhões de reais, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
As ações dos Estados Unidos recuaram nesta sexta-feira, com os papéis de megacapitalização relacionados à tecnologia na lanterna, após terem impulsionado o movimento de alta dos índices este ano, enquanto investidores avaliaram as perspectivas da taxa de juros antes da reunião do Federal Reserve da próxima semana.
Os investidores reduziram as apostas de um corte na taxa de juros em junho pelo Fed após os dados de inflação desta semana, que foram mais fortes do que o esperado.
De acordo com dados preliminares, o S&P 500 perdeu 0,64%, para 5.117,42 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq perdeu 0,96%, para 15.975,86 pontos. O Dow Jones caiu 0,48%, para 38.720,08 pontos.
As bolsas europeias perderam fôlego no fim do pregão e fecharam sem direção única nesta sexta-feira (15).
O CAC 40, de Paris, atingiu recorde histórico de fechamento, aos 8.164,35 pontos, após subir 0,04%. O DAX, de Frankfurt, caiu 0,03%, aos 17.936,65 pontos, ainda perto do recorde de fechamento de 17.965,11 pontos marcado nesta semana. Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou em baixa de 0,20%, aos 7.727,42 pontos, na mínima intradiária.
Em Lisboa, o PSI 20 avançou 1,24%, encerrando o dia em 6.130,85 pontos.
Em Madri, o Ibex-35 ganhou 1,02%, aos 10.597,90 pontos, Em Milão, o FTSE MIB subiu 0,46%, aos 33.940,03 pontos. As cotações são preliminares.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta sexta-feira (15).
Liderando as perdas no continente, o índice sul-coreano Kospi teve queda de 1,91% em Seul, a 2.666,84 pontos, enquanto o Hang Seng caiu 1,42% em Hong Kong, a 16.720,89 pontos, o Taiex recuou 1,28% em Taiwan, a 19.682,50 pontos, e o japonês Nikkei cedeu 0,26% em Tóquio, a 38.707,64 pontos.
Na China continental, por outro lado, os mercados ficaram no azul hoje. O Xangai Composto subiu 0,54%, a 3.054,64 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,94%, a 1.774,68 pontos.
Na Oceania, a bolsa australiana caiu pelo segundo pregão consecutivo. O S&P/ASX 200 teve baixa de 0,56% em Sydney, a 7.670,30 pontos.
Fontes: Reuters,Dow Jones Newswires,Broadcast.



