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O dólar à vista voltou a cair ante o real nesta quinta-feira, dando continuidade ao movimento da véspera, após o Federal Reserve adotar uma postura mais branda em relação à inflação, e repercutindo também o comunicado do Copom, que reforçou a expectativa por mais cortes de 0,50 ponto percentual da Selic, e não de 0,75 ponto percentual.
No fim da tarde, porém, a moeda norte-americana reduziu as perdas no Brasil, em meio ao noticiário ligado ao Congresso Nacional, que está na reta final dos trabalhos em 2023.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9155 reais na venda, em baixa de 0,10%. Foi a segunda sessão consecutiva de queda para a moeda norte-americana, que com o movimento desta quinta-feira registra estabilidade no acumulado de dezembro. Na B3 (BVMF:B3SA3), às 17:31 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,10%, a 4,9130 reais.
Na quarta-feira, o dólar à vista já havia recuado quase 1% ante o real, após o Fed anunciar a manutenção de sua taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50%, como esperado, mas projetar cortes de juros de 75 pontos-base em 2024 -- mais do que o previsto anteriormente.
Nesta quinta-feira, a pressão baixista vinda do exterior continuou, com o dólar cedendo ante as divisas fortes e em relação a quase todas as moedas de emergentes e exportadores de commodities. Novamente, o Fed mais dovish (brando com a inflação) conduzia as perdas do dólar -- amplificadas ainda por indicações de bancos centrais da Europa de que os cortes de juros na região vão demorar mais do que o esperado.
No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, na véspera, também favorecia mais um dia de perdas para o dólar. O colegiado cortou a taxa básica Selic em 0,50 ponto percentual, para 11,75% ao ano, mas reforçou a intenção de promover pelo menos mais dois cortes de mesma magnitude.
Os efeitos da decisão do BC atuavam no sentido de nova queda para o dólar ante o real nesta quinta-feira, após a moeda norte-americana à vista ter encerrado a quarta-feira com quase 1% de baixa, na esteira do Fed.
Isso porque, ao reforçar a perspectiva de mais cortes de 0,50 ponto percentual -- e não de 0,75 ponto percentual, como chegou a ser aventado na curva a termo brasileira -- a leitura era de que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos seguirá em níveis mais elevados, pelo menos por enquanto, o que favorece a atração de divisas para o país, conforme profissionais ouvidos pela Reuters.
Neste cenário, o dólar à vista chegou a oscilar abaixo dos 4,90 reais, marcando a cotação mínima da sessão, de 4,8750 reais (-0,92%), às 11h51. Ao longo da tarde, porém, a moeda norte-americana recuperou fôlego no Brasil. O movimento ocorreu sob influência do noticiário de Brasília, que trouxe novamente à tona os receios em torno do equilíbrio fiscal do governo Lula. Numa derrota para o Planalto, o Congresso votou pela derrubada do veto presidencial ao projeto que prorroga até 2027 a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia. A rejeição do veto dificulta os esforços do governo para incrementar a arrecadação federal e sua intenção de cumprir a meta fiscal de resultado primário zero em 2024.
Além disso, uma comissão mista do Congresso aprovou a medida provisória que regulamenta as subvenções, após alterações flexibilizarem a proposta original do governo, incluindo também uma regra mais frouxa para o mecanismo de Juros sobre Capital Próprio (JCP).
Com as mudanças feitas pela comissão, o potencial de arrecadação poderá cair. O Ministério da Fazenda, que ainda não apresentou novas estimativas de impacto, projetava um ganho de 45,8 bilhões de reais para o ano que vem -- 35,3 bilhões de reais com o tema das subvenções e 10,5 bilhões de reais com JCP.
Com o noticiário local, o dólar fechou perto da estabilidade ante o real, em leve baixa, ainda que no exterior a divisa seguisse com perdas firmes em relação às demais moedas.
Às 17:31 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,93%, a 101,920. Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de fevereiro. Durante a tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de 387 milhões de dólares em dezembro até o dia 8.
O Ibovespa fechou em alta de cerca de 1% nesta quinta-feira, renovando máximas históricas, ainda embalado pela perspectiva de queda de juros nos Estados Unidos no próximo ano e manutenção no ritmo de afrouxamento monetário no Brasil. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,04%, a 130.807,49 pontos, superando o recorde de fechamento anterior, de 7 de junho de 2021 (130.776,27 pontos), de acordo com dados preliminares.
No melhor momento do dia, chegou a 131.259,81 pontos, também acima do recorde intradia de 7 de junho de 2021 (131.190,30 pontos). Na mínima, marcou 129.469,02 pontos. O volume financeiro somava 31,9 bilhões de reais antes dos ajustes finais, bem acima da média diária para o mês, de cerca de 25,5 bilhões de reais, tendo também no radar o vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista na sexta-feira.
Bolsas dos EUA: Índices fecham em alta após declarações de presidente do Fed
As bolsas de valores em Nova York encerraram o pregão em território positivo nesta quinta-feira (14), registrando ganhos após uma tarde de oscilações. Este movimento se deu ainda em meio à empolgação provocada pelas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que indicou a possibilidade de um corte na taxa básica dos Estados Unidos.
Índices registram ganhos após oscilações
Dow Jones: fechou com uma alta de 0,43%, atingindo um novo patamar histórico de 37.248,31 pontos;
S&P 500: avançou 0,27%, alcançando os 4.719,57 pontos;
Nasdaq: encerrou o dia com uma elevação de 0,19%, atingindo os 14.761,56 pontos.
Bolsas da Europa: Mercados fecham em alta após decisões de bancos centrais
Especificamente, a mensagem do BCE foi considerada mais "hawkish" do que o esperado, impactando os ganhos dos mercados. Enquanto isso, o Banco da Inglaterra adotou uma postura cautelosa.
O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou com alta de 0,87%, atingindo 476,57 pontos.
Analistas do Nordea, em relatório, avaliaram a mensagem do BCE como "surpreendentemente hawkish". Destacaram que não houve indicação de uma postura mais suave futuramente, mencionando a declaração da presidente do BCE, Christine Lagarde, sobre a ausência de discussões acerca de cortes de juros. Esse contexto influenciou o mercado, levando o DAX a recuar 0,08% em Frankfurt, enquanto o FTSE MIB subiu 0,21% em Milão. O Ibex 35, em Madri, teve alta de 0,75%, e o CAC 40 avançou 0,59% em Paris. No cenário europeu, o PSI 20, em Lisboa, registrou alta de 0,75%, atingindo 6.505,56 pontos.
Os mercados acionários da Ásia compartilharam apenas em parte a animação global com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de quarta-feira (13), após os Estados Unidos manterem juros entre 5,25% e 5,50% ao ano, mas sinalizar cortes em 2024. Houve nesta quinta-feira (14) perdas em Xangai e também em Tóquio, mas a Bolsa de Seul subiu mais de 1% e outras também avançavam, em quadro misto no continente.
A Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,33%, em 2.958,99 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,55%, a 1.919,91 pontos.
Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,73%, para 32.686,25 pontos. A força do iene pressionou ações de exportadoras do Japão, entre elas montadoras. O Nikkei também chegou a subir, mas inverteu o sinal no meio da manhã local, diante do movimento no câmbio.
Já em Seul, o índice Kospi avançou 1,34%, a 2.544,18 pontos.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng registrou ganho de 1,07%, para 16.402,19 pontos. Em Taiwan, o Taiex subiu 1,05%, a 17.653,11 pontos.
Na Oceania, em Sydney o S&P/ASX 200 fechou em alta de 1,65%, em 7.377,90 pontos.
Fontes: Reuters,Dow Jones Newswires,Broadcast.


