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O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9523 reais na venda, com alta de 1,70%. Foi o maior avanço percentual em um fechamento desde 3 de agosto, quando subiu 1,97%.Na B3 (BVMF:B3SA3), às 17:16 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,59%, a 4,9220 reais.
A divisa dos EUA oscilou em alta durante praticamente toda a sessão. Pela manhã, parte do impulso era dado pela atuação de investidores comprados interessados na formação da Ptax.
A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista e que serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
Além da Ptax, as cotações reagiam a alguns dados econômicos que deram força à moeda norte-americana. Os gastos dos consumidores, que representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, aumentaram 0,8% no mês passado, informou o Departamento de Comércio. A projeção dos economistas era de 0,7%.
Por outro lado, a inflação medida pelo índice de preços de PCE subiu 0,2% no mês passado, repetindo a taxa mensal vista em junho.Assim, o dólar tinha alta firme ante uma cesta de moedas fortes, o que contribuía para o avanço também no mercado brasileiro.
Com a determinação da Ptax de fim de mês, perto das 13h, o dólar ficou mais livre para oscilar no Brasil. Mas a divisa dos EUA seguiu em alta, com investidores demonstrando cautela com a proposta do governo para o Orçamento de 2024.
Em entrevista coletiva no início da tarde, os ministros do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e da Fazenda, Fernando Haddad, confirmaram a meta fiscal de resultado primário zero para o próximo ano -- um objetivo visto por economistas do mercado financeiro como difícil de ser alcançado.
Além disso, o Orçamento para 2024 traz uma ampliação de gastos de 129 bilhões de reais em relação a este ano. Para cumprir a meta de primário zero, o projeto estabelece um aumento de 168 bilhões de reais em arrecadação, incluindo receitas ainda não aprovadas.
“Eles vão lutar para atingir a meta zero, mas terão que buscar outras fontes de receita”, comentou Evandro Caciano, head de câmbio da Trace Finance. “Por isso, depois da Ptax o fiscal passou a comandar. Houve um movimento de compra de proteção, com o investidor estrangeiro comprando moeda. O estrangeiro está se protegendo”, acrescentou.
Durante o dia, chamou a atenção a forte oscilação do dólar, próxima de 10 centavos de real -- algo incomum para uma única sessão. Na cotação mínima, às 9h33, a moeda à vista marcou 4,8645 reais (-0,11%). Na máxima, às 12h07, o dólar atingiu 4,9620 (+1,90%).No exterior, o dólar se mantinha em alta ante as moedas fortes.
Às 17:16 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,50%, a 103,630.
Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de outubro.
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, com a recente deterioração nas contas públicas corroborando dúvidas sobre os planos de déficit fiscal zero do próximo ano, enquanto medidas para aumentar as receitas públicas trouxeram preocupações sobre os potenciais efeitos nos resultados de empresas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,53 %, a 115.741,81 pontos, terminando na mínima do dia. O volume financeiro na sessão somou 26 bilhões de reais.
Com tal desempenho, o Ibovespa acumulou queda de 5% em agosto, encerrando uma sequência de quatro meses em alta. Essa performance foi acompanhada de forte saída de capital externo da bolsa paulista, com as vendas superando as compras em 12,56 bilhões de reais em agosto até o dia 29.
De acordo com o head da EQI Research, Luís Moran, o fluxo bastante negativo de investidores estrangeiros na bolsa contrariou a expectativa que o mercado tinha com o início dos cortes na Selic, de que esse fluxo fosse aumentar. Ele, contudo, avaliou que as saídas refletiram eventos no cenário externo.
No Brasil, o mês acabou com receios sobre o cenário fiscal voltando a pressionar os ativos financeiros.
Nesta quinta, o Banco Central mostrou que o setor público consolidado teve um déficit primário de 35,8 bilhões de reais em julho, bem mais forte do que a expectativa de economistas consultados pela Reuters. A dívida pública bruta do país como proporção do PIB avançou para 74,1%.
Para o diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs (NYSE:GS), Alberto Ramos, a política fiscal "claramente expansionista" no ano até o momento e a relutância em controlar a despesa prejudicam gravemente a credibilidade das metas fiscais anunciadas pelo governo.
O governo reiterou nesta quinta que o Projeto de Lei Orçamentária de 2024 (PLOA) de 2024 buscará a meta de resultado primário zero, mas isso não aliviou a desconfiança de agentes financeiros. Além da queda na bolsa, as taxas de DI avançaram e o dólar subiu ante o real.
"A grande questão aqui não é nova, é a preocupação dos investidores com o quadro fiscal brasileiro", afirmou o responsável pela mesa de ações do BTG Pactual (BVMF:BPAC11), Jerson Zanlorenzi. "O mercado ainda um pouco em dúvida sobre essa viabilidade de déficit zero no ano que vem."
O PLOA enviada ao Congresso prevê aumento de 129 bilhões de reais da despesa primária em relação a este ano e estabelece ampliação de 168 bilhões em arrecadação.
Na véspera, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que a peça orçamentária traria todas as projeções de receitas para atingir esse objetivo, incluindo algumas medidas que ainda dependem de aprovação do Congresso. Ela ponderou que eventual fracasso em iniciativas inviabilizará o cumprimento do déficit zero.
Entre as medidas para elevar as receitas, o Senado aprovou na véspera proposta que restaura o voto de desempate a favor do governo em decisões do Carf. Nesta quinta, o governo apresentou projeto para acabar com o mecanismo de juros sobre capital próprio (JCP), o que deve afetar os lucros de várias empresas.
"Vamos acompanhar com bastante cuidado como o governo vai conseguir caminhar na direção que ele se propôs. Por enquanto, o mercado está relativamente cético e com um volume muito baixo ainda", acrescentou Moran, da EQI.
Em Wall Street, os pregões terminaram sem uma direção única antes da divulgação de dados do mercado de trabalho, após uma semana com números corroborando expectativas de que o Federal Reserve poderia interromper o ciclo de altas de juros nos Estados Unidos. Hoje, o índice Dow Jones fechou em baixa de 0,48%, a 34.721,91 pontos, o S&P 500 recuou 0,16%, a 4.507,66 pontos, e o Nasdaq subiu 0,11%, a 14.034,97. No acumulado de agosto, as quedas foram de 2,36%, 1,77% e 2,17%, respectivamente.
O último pregão do mês trouxe a terceira prévia da carteira do Ibovespa que irá vigorar a partir de segunda-feira até o final do ano, confirmando a entrada das ações da PetroReconcavo (BVMF:RECV3) e da Vamos, assim como a saída dos papéis da Méliuz (BVMF:CASH3).
Destaques
- ITAÚ UNIBANCO PN (BVMF:ITUB4) cedeu 0,87%, a 27,43 reais, e BRADESCO PN (BVMF:BBDC4) perdeu 1,39%, a 14,95 reais, tendo no radar a aprovação pelo Senado de projeto de lei que retoma o voto de qualidade em casos de empate nas decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), bem como a proposta do governo para encerrar com o instrumento de JCP. Analistas do JPMorgan (NYSE:JPM) avaliam que a notícia sobre o Carf é negativa para o setor financeiro, uma vez que bancos e empresas não bancárias têm ações relevantes e alguns desses casos podem ser priorizados à medida que o governo busca mais receitas. No caso do JCP, analistas do Citi veem um impacto negativo significativo para os lucros dos bancos com um eventual fim do benefício fiscal, mas avaliam que o projeto apresentado deve passar por ajustes.
- B3 ON (BVMF:B3SA3) recuou 2,19%, a 12,93 reais, também pressionada pelo avanço do projeto de lei do Carf, que agora segue à sanção presidencial. De acordo com o JPMorgan, a B3 tem uma exposição de 12,2 bilhões de reais em processos no órgão e já se beneficiou do voto de qualidade no passado -- quando era a favor do contribuinte.
- VIA ON (BVMF:VIIA3) fechou com declínio de 4,51%, a 1,27 real, tocando uma mínima intradia desde 2016 de 1,26 real, em sessão bastante negativa para papéis de varejo e consumo na B3. A dona das redes Casas Bahia e Ponto e do banco digital banQi também anunciou nesta quinta-feira que contratou Bradesco BBI, BTG Pactual, UBS Brasil, Itaú BBA e Santander Brasil (BVMF:SANB11) para uma "potencial" oferta de ações que pretende levantar pelo menos 1 bilhão de reais. No setor, MAGAZINE LUIZA ON (BVMF:MGLU3) caiu 5,48%.
- VALE ON (BVMF:VALE3) encerrou com acréscimo de apenas 0,15%, a 65,08 reais, distante da máxima do dia, quando chegou a 66,17 reais, mesmo com os futuros do minério de ferro avançando na China para o maior nível em cinco semanas. O contrato mais negociados na Dalian Commodity Exchange (DCE) fechou as negociações do dia com alta de 3,54%, a 849 iuanes (116,47 dólares) por tonelada, máxima desde 1º de agosto. A Vale também disse que iniciou testes com carga da primeira fábrica de briquetes de minério de ferro na unidade de Tubarão, em Vitória (ES), e se prepara para começar a atender uma fila estimada de 18 meses de clientes.
- PETROBRAS PN (BVMF:PETR4) cedeu 2,08%, a 31,94 reais, após renovar mais cedo máxima histórica intradia a 32,79 reais. O papel acumulou em agosto uma valorização de 6,58%, marcando o quinto mês seguido de valorização. No exterior, o barril de petróleo Brent fechou com elevação de 1,16%, a 86,86 dólares. No setor, 3R PETROLEUM ON (BVMF:RRRP3) avançou 2,24% e PRIO ON (BVMF:PRIO3) subiu 1,33%.
Fontes: Reuters.


