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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Mercado financeiro Dólar e Ibovespa: 30/08/23



Bitcoin: R$ 133.592,90 Reais e US$ 27.259,80 Dólares.

Dólar comercialR$ 4,8687
Dólar turismoR$ 5,0590
Dólar ptaxR$ 4,8653
Euro comercialR$ 5,32
Euro turismoR$ 5.5835


O dólar hoje à vista fechou em leve alta ante o real nesta quarta-feira, na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana cedia ante divisas fortes, com investidores no Brasil antecipando na sessão parte da disputa pela formação da PTAX de fim de mês.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8697 reais na venda, com alta de 0,29%. Na B3 (BVMF:B3SA3), às 17:18 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,34%, a 4,8755 reais.

No início do dia, a moeda norte-americana à vista chegou a oscilar no território negativo no Brasil, em sintonia com o exterior. Às 9h16, o dólar à vista foi cotado na mínima de 4,8431 reais (-0,26%).

A divulgação de novos dados econômicos nos EUA pela manhã reforçou a pressão baixista para o dólar no exterior. O relatório de Emprego Nacional da ADP indicou que foram abertas 177.000 vagas de emprego no setor privado norte-americano no mês passado. Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 195.000 postos.

Já o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre foi revisado de 2,4% para 2,1%, em taxa anualizada. Os números elevaram as apostas de que o Federal Reserve, por conta da desaceleração econômica, não subirá os juros novamente em 2023, o que pesou sobre o dólar ante várias divisas.

No Brasil, porém, a moeda norte-americana migrou para o território positivo, a despeito do que era visto lá fora. Dois profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que investidores comprados no mercado futuro -- o mais líquido e, no limite, o que determina os preços no segmento à vista -- atuaram para sustentar as cotações, de olho na Ptax de fim de mês, a ser definida na quinta-feira.

A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista e que serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

“A volatilidade que a gente vê no Brasil é um pouco em função de interesses técnicos pela definição da Ptax. Será exacerbado amanhã (quinta-feira), mas hoje já houve uma disputa”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria de câmbio FB Capital. “Se não fosse a Ptax, hoje era dólar para baixo.”

Neste cenário, o dólar à vista marcou a máxima do dia às 11h51, cotado a 4,8842 reais (+0,59%). Durante a tarde, a divisa se acomodou em níveis mais baixos.

No exterior, o dólar seguia em queda ante divisas fortes no fim da tarde e tinha sinais mistos ante as demais moedas. Às 17:18 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,38%, a 103,160. Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de outubro.

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, tendo renovado mínimas à tarde em meio à divulgação de detalhes do Orçamento de 2024, que prevê aumento de 129 bilhões de reais na despesa primária em relação a 2023.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,73%, a 117.535,1 pontos, em movimento descolado de Wall Street, onde o foco esteve voltado para dados de emprego e PIB dos Estados Unidos. O Ibovespa chegou a flertar com o sinal positivo nesta quinta, alcançando 118.840,8 pontos na máxima da sessão. Na mínima, chegou a 117.470,87 pontos, com bancos entre as maiores pressões negativas.

A queda nesta sessão ocorre após dois dias consecutivos de alta, em que acumulou um ganho de mais de 2%. Com tal desempenho, acumula até o momento perda de 3,6% no mês. O volume financeiro no penúltimo pregão de agosto somou 16,72 bilhões de reais.

Em audiência na Comissão Mista de Orçamento, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024 será apresentado com meta de déficit zero e, para isso, o governo precisa ampliar a arrecadação em 168 bilhões de reais.

Ela acrescentou que a PLOA trará todas as projeções de receitas para atingir esse objetivo, incluindo medidas que ainda dependem de aprovação do Congresso. E acrescentou que eventual fracasso em medidas inviabilizará o cumprimento do déficit zero.

Conforme observou o analista da CM Capital Pedro Canto, falas de Tebet causaram um pouco de mau humor nos negócios, elevando as taxas futuras de juros com prazos mais longos, o que respingou na bolsa, pressionando ações do setor de consumo.
Mais cedo, o Tesouro Nacional havia reportado que o governo central registrou déficit fiscal primário de 35,9 bilhões de reais em julho, forte deterioração ante o saldo positivo de 18,9 bilhões de reais um ano antes e pior do que as expectativas.

No exterior, a desaceleração no ritmo de criação de vagas no setor privado dos Estados Unidos em agosto e revisão para baixo do crescimento do PIB norte-americano no segundo trimestre corroboraram apostas de que o Fed deve parar, ao menos por ora, com novas altas dos {{eck-168||juros}}.
Canto ressaltou que ambas as divulgações sinalizaram desaquecimento da economia, o que é visto como uma boa notícia, pois indica que a política monetária do Fed está fazendo efeito.

"Tira um pouco a pressão por novos aumentos ou juros mantidos nesse patamar elevado por mais tempo", disse.

As bolsas de Nova York fecharam nesta quarta-feira, 30, em alta pela quarta sessão consecutiva, apoiadas por nova bateria de dados dos Estados Unidos que reforçou apostas - já firmadas na terça-feira - em manutenção de juros do Federal Reserve (Fed) a partir de setembro.

O índice Dow Jones fechou com elevação de 0,11%, aos 34.890,77 pontos; o S&P 500 ganhou 0,39%, aos 4.515,00 pontos; e o Nasdaq teve alta de 0,54%, aos 14.019,31 pontos.

De acordo com o analista da Rico Antonio Sanches, o desempenho das bolsas norte-americanas refletiu a esperança de que os dados mais fracos permitam que o Fed não eleve os juros na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) "Apesar de parecer contraditório, o freio na economia pode indicar a efetividade dos juros mais altos para controlar a inflação", reforçou. O Fomc volta a se reunir em setembro.

Destaques

- ITAÚ UNIBANCO PN (BVMF:ITUB4) caiu 1,91%, a 27,67 reais, reflexo de realização de lucros após avançar 5% nos dois pregões anteriores, conforme agentes financeiros continuam especulando sobre o destino do mecanismo de juros sobre capital próprio. BRADESCO PN (BVMF:BBDC4) recuou 2,13%, a 15,16 reais, alta de 4,45% nas primeiras sessões da semana.

- B3 ON (BVMF:B3SA3) fechou em baixa de 2,58%, a 13,22 reais, com Tebet ressaltando ao detalhar o Orçamento de 2024 que o fracasso em medidas como a que muda regras do Carf ou a regulamentação de vitórias tributárias na Justiça inviabilizará o cumprimento do déficit zero.

- CVC BRASIL ON  (BVMF:CVCB3) disparou 17,09%, a 2,74 reais, ainda sob efeito da recuperação judicial da plataforma de viagens 123 Milhas na véspera. O movimento ocorre após o papel ter renovado mínimas históricas na segunda-feira, quando ainda acumulava um declínio de quase 50% em 2023. Na terça-feira, após o pedido da 123 Milhas, as ações fecharam em alta de mais de 6%. A CVC também divulgou na noite da véspera um programa de recompra de debêntures de 75 milhões de reais, relacionado ao aumento de capital realizado em junho pela operadora de turismo.

- IRB (RE) ON (BVMF:IRBR3) recuou 5,2%, a 45,04 reais, com realização de lucros após seis pregões seguidos de valorização, período em que acumulou alta de quase 20%. Em relatório a clientes, analistas do Citi afirmaram que participaram do Investor Day da resseguradora, no qual a empresa reiterou a meta de retomar a fase de crescimento em 2024, embora sem fornecer um guidance, com uma companhia mais bem estruturada e que deverá entregar rentabilidade crescente.

- MINERVA ON (BVMF:BEEF3) perdeu 3,48%, a 8,6 reais, revertendo a tentativa de recuperação vista mais cedo e ainda sendo penalizada pelo acordo envolvendo a compra de ativos da Marfrig, em meio a receios sobre o nível de endividamento da companhia. Na véspera, a ação já havia desabado cerca de 18%. MARFRIG ON (BVMF:MRFG3) caiu 1,07%, a 7,37 reais, após disparar na véspera depois do anúncio das empresas feito na noite de segunda-feira.

- VALE ON (BVMF:VALE3) terminou o dia com variação positiva de 0,02%, a 64,98 reais, em dia de recuperação dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange avançou quase 2%.

- PETROBRAS PN (BVMF:PETR4) subiu 0,68%, a 32,62 reais, em sessão com alta dos preços do petróleo no exterior, onde o Brent fechou com elevação de 0,43%, a 85,86 dólares o barril.

- CEMIG PN (BVMF:CMIG4) avançou 1,53%, a 12,61 reais. Na véspera, o ministro Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o projeto proposto pelo governo de Minas Gerais para retirar a necessidade de referendo popular para privatização da Cemig se trata de uma "afronta à democracia".

Fontes: Reuters.
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