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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Mercado financeiro Dólar e Ibovespa: 05/12/23

Bitcoin: R$ 219.703,26 Reais e US$ 44.124,60 Dólares.

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O dólar à vista se descolou do exterior durante a tarde e fechou em baixa ante o real nesta terça-feira, com alguns agentes do mercado aproveitando as cotações mais elevadas para vender moeda, em um dia marcado por dados fracos do mercado de trabalho norte-americano e pela surpresa positiva com o PIB do Brasil.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9255 reais na venda, em baixa de 0,46% -- a cotação mínima da sessão. Em dezembro, o dólar acumula alta de 0,21%.

Na B3 (BVMF:B3SA3), às 17:27 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,30%, a 4,9385 reais.Pela manhã, o dólar alternou altas e baixas ante o real em diferentes momentos, com investidores à espera de um fator que definisse mais claramente o rumo das cotações.Às 9h40, a moeda à vista marcou a cotação máxima de 4,9665 reais (+0,36%), em sintonia com o exterior, onde o viés para a moeda norte-americana ante as demais divisas também era positivo.

Ao meio-dia, o dólar à vista despencou do positivo para o negativo no Brasil e renovou algumas mínimas, com investidores reagindo à divulgação dos dados do mercado de trabalho norte-americano.
O Departamento do Trabalho informou que as vagas de emprego, uma medida de demanda por trabalho, caíram 617.000, para 8,733 milhões, no último dia de outubro. Os números fazem parte do relatório mensal sobre vagas de emprego e rotatividade no trabalho, ou relatório JOLTS. Economistas consultados pela Reuters previam 9,30 milhões de vagas de emprego em outubro. Por trás da pressão baixista para o dólar no início da tarde estava a percepção de que, com o mercado de trabalho enfraquecido, o Federal Reserve manterá sua taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50% este ano, podendo iniciar o processo de cortes ainda no primeiro semestre de 2024.

Antes mesmo das 13h, o dólar já estava novamente em alta ante o real, acompanhando o exterior, onde a divisa dos EUA subia ante as moedas fortes e ante a maior parte das divisas de emergentes e exportadores de commodities.
No restante da tarde, porém, as cotações no Brasil se descolaram do exterior e o dólar se firmou no território negativo.
Três profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que, com as cotações próximas dos 4,95 reais ou dos 4,96 reais, exportadores entraram no mercado vendendo moeda, o que derrubou os preços.
“Houve ofertas de exportadores no segmento à vista, que foram chamados ao mercado com o câmbio orbitando em torno de 4,95 reais”, pontuou o diretor da assessoria de câmbio FB Capital, Fernando Bergallo.

O dólar à vista terminou o dia na cotação mínima ante o real, ainda que no exterior o viés principal fosse de alta para a moeda norte-americana.Às 17:27 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,34%, a 103,980.

Pela manhã, investidores também estiveram atentos à divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no terceiro trimestre. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que houve expansão de 0,1% no período, na comparação com os três meses anteriores. Foi o terceiro trimestre consecutivo de alta após o recuo de 0,1% nos últimos três meses do ano passado.

O resultado surpreendeu boa parte das instituições financeiras, que projetavam retração da economia no terceiro trimestre. A pesquisa com projeções de economistas consultados pela Reuters trazia uma mediana negativa de 0,2% para o PIB.
Ainda que os números tenham sido observados pelos players de câmbio, eles influenciaram mais decisivamente o mercado de juros futuros nesta terça-feira.Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de fevereiro.

O Ibovespa fechou com uma alta modesta nesta terça-feira, uma vez que a queda das ações da Vale após previsões para 2024 minou a repercussão positiva a dados do PIB do terceiro, que mostraram resiliência no consumo das famílias, beneficiando particularmente ações de empresas de varejo.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,08%, a 126.903,25 pontos. Na máxima do dia, chegou a 127.488,56 pontos. Na mínima, a 126.491,48 pontos. O volume financeiro somou 23,3 bilhões de reais.

O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre, desacelerando ante os três meses anteriores, mas evitando a contração esperada por economistas. Na comparação com o terceiro trimestre de 2022, o PIB teve alta de 2,0%.De acordo com os números divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, a agropecuária teve retração de 3,3% frente aos três meses anteriores, mas indústria e serviços -- setor que responde por cerca de 67% da economia do país -- cresceram 0,6%, cada, na mesma base de comparação.

"A melhora no mercado de trabalho, as medidas governamentais de aumento de transferência de renda e redução da inflação, aumentando o poder de compra das famílias, estão entre as principais razões" para tal resultado, destacou o estrategista Álvaro Frasson, do BTG Pactual (BVMF:BPAC11), em relatório a clientes.
Além do PIB, o assessor da Blue3 Investimentos Rafael Gamba também chamou a atenção para declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que ainda vê espaço para a autoridade monetária manter cortes de juros, como mais um componente benigno às ações brasileiras. Campos Neto afirmou que a inflação no Brasil surpreendeu para baixo, o que abre espaço para o BC baixar os juros e continuar perseguindo a convergência de preços para as metas, embora ele também tenha alertado que o jogo da política monetária ainda não está ganho e há incertezas no ambiente.

DESTAQUES

- GPA (BVMF:PCAR3) ON disparou 12,32%, a 3,83 reais, endossado pelo noticiário mostrando consumo resiliente das famílias no terceiro trimestre tendo no radar evento Investor Day da companhia na quarta-feira. No setor, CARREFOUR BRASIL ON (BVMF:CRFB3) subiu 0,63% e ASSAÍ ON fechou com acréscimo de 0,16%.

- MAGAZINE LUIZA ON (BVMF:MGLU3) valorizou-se 7,00%, a 2,14 reais, também apoiada pelos dados do PIB, assim como CASAS BAHIA ON, que encerrou com elevação de 5,77%, a 0,55 real. O índice de consumo da B3 (BVMF:B3SA3) avançou 0,8%.

- CVC (BVMF:CVCB3) BRASIL ON ganhou 7,81%, a 3,59 reais, tendo ainda de pano de fundo divulgação pelo grupo de turismo de que inaugura 33 lojas no país entre novembro e dezembro, sendo 19 aberturas apenas neste mês em oito Estados e 16 cidades.

- VALE ON (BVMF:VALE3) caiu 0,92%, a 72,85 reais, após a mineradora divulgar estimativas para o próximo ano, incluindo previsão de produção entre 310 milhões e 320 milhões de toneladas de minério de ferro. A companhia realizou nesta terça-feira seu evento Vale Day com investidores em Londres. Na China, o futuro do minério de ferro mais negociado na Dalian Commodity Exchange caiu 0,4%.

- PETROBRAS PN (BVMF:PETR4) recuou 0,46%, a 34,75 reais, em dia de fraqueza dos preços do petróleo no exterior, onde o barril de Brent fechou o dia com declínio de 1,06%.

- ITAÚ UNIBANCO PN (BVMF:ITUB4) subiu 0,82%, a 31,80 reais, e BRADESCO PN (BVMF:BBDC4) valorizou-se 0,93%, a 16,33 reais, apesar de dados do Banco Central mostrando que as concessões de crédito recuaram 0,7% em outubro ante o mês anterior. O Itaú também divulgou cronograma de pagamentos mensais de JCP relativos a 2024.

- ELETROBRAS ON (BVMF:ELET3) avançou 1,74%, a 41,45 reais, após vender participação de 49% em duas holdings que detêm um complexo eólico no Piauí para uma empresa controlada pelo Pátria Investimentos. A elétrica não revelou o valor do negócio, mas afirmou que as participações nesses ativos estavam contabilizadas em 222 milhões de reais no terceiro trimestre.

- BRF ON (BVMF:BRFS3) cedeu 4,10%, a 14,51 reais, em dia de ajustes após terminar novembro com um ganho acumulado de mais de 37%, o que também ajudou a pressionar o Ibovespa. MARFRIG ON (BVMF:MRFG3), maior acionista da BRF, caiu 4,03%, a 9,53 reais.

- BRASKEM PNA (BVMF:BRKM5) fechou em baixa de 2,57%, a 17,44 reais, ainda pressionada pela situação envolvendo minas de extração de sal-gema da petroquímica na capital do Estado de Alagoas. A B3 anunciou a exclusão das ações da companhia da carteira de seu Índice de Sustentabilidade Empresarial, enquanto o Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA-AL) multou a empresa em 72 milhões de reais. A Defesa Civil de Maceió, contudo, retirou nesta terça-feira o status de alerta "máximo" para a mina 18, que vem preocupando a população e autoridades devido ao rápido afundamento da superfície verificado desde a semana passada.

- PRIO ON cedeu 2,40%, a 43,16 reais, com agentes analisando dados de produção diária da petrolífera em novembro, de 99,3 mil barris de óleo equivalente (boepd), ante 100 mil registrados em outubro. As vendas de óleo da companhia no mês passado somaram 2,09 milhões de barris, abaixo dos 3,09 milhões de outubro.

- PAGUE MENOS ON, que não está no Ibovespa, subiu 5,67%, a 3,54 reais, após a rede de farmácias anunciar Jonas Marques como novo diretor presidente, sendo que uma transição de três meses ocorrerá a partir de 4 de janeiro.

As bolsas de valores de Nova York encerraram o dia com movimentos mistos, refletindo volatilidade e impactos decorrentes de indicadores econômicos divergentes.

    Dow Jones: apresentou queda de 0,22%, atingindo os 36.124,56 pontos;
    S&P 500: recuou 0,06%, chegando a 4.567,18 pontos;
    Nasdaq: registrou alta de 0,31%, encerrando o dia com 14.229,91 pontos.

As bolsas europeias encerraram suas operações em alta, exceto Londres, destacando-se a bolsa de Frankfurt que atingiu máximas históricas. O movimento foi impulsionado pela divulgação de indicadores econômicos da zona do euro e do Reino Unido.

    FTSE 100 (Londres): declinou 0,31%, fechando a 7.489,84 pontos;
    DAX (Frankfurt): registrou ganhos de 0,78%, atingindo 16.533,11 pontos, alcançando seu pico histórico em 16.551,34 pontos;
    CAC 40 (Paris): subiu 0,74%, aos 7.386,99 pontos;
    FTSE MIB (Milão): avançou 0,56%, aos 30.082,88 pontos;
    Ibex 35 (Madri): teve alta a 0,59%, aos 10.238,40 pontos;
    PSI 20 (Lisboa): avançou 0,06%, aos 6.576,12 pontos.
O índice Stoxx 600 registrou um aumento de 0,38%, alcançando 467,54 pontos.

Os mercados acionários da Ásia tiveram pregão negativo nesta terça-feira (5), com perda de mais de 1,5% em Xangai e acima de 1% em Tóquio. Na Oceania, a Bolsa de Sydney também recuou, após o Banco Central da Austrália manter juros, mas não descartar novas altas a depender do quadro nos indicadores.
A Bolsa de Xangai registrou baixa de 1,67%, em 2.972,30 pontos, encerrando na mínima do dia. A Bolsa de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 1,95%, a 1.930,12 pontos. Temores sobre o crescimento da China impactaram mesmo após medidas recentes do governo para apoiar o quadro. Quase todos os setores encerraram no vermelho em Xangai, com ações de software e hardware entre os piores desempenhos. Beijing Kingsoft Office Software caiu 2,65% e iFlytek teve baixa de 3,85%.

Após o fechamento chinês, a Moody’s reafirmou o rating da China em A1, mas alterou a perspectiva de estável para negativa. A agência alertou para o endividamento de governos locais e estatais, que para ela fará com que o governo central tenha de apoiá-los, com potencial piora no quadro fiscal.
Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,37%, a 32.775,82 pontos. Ações de tecnologia estiveram sob pressão. Disco Corp. recuou 5,6% e Advantes, 6,0%, enquanto Screen Holdings caiu 5,4%, entre os papéis mais pressionados no Nikkei.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng 1,91%, em 16.327,86 pontos. Investidores estavam cautelosos antes do relatório mensal de empregos (payroll) dos Estados Unidos, que sai nesta sexta-feira (8), especialmente após especulações de cortes mais agressivos de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), segundo Gary Ng, do Natixis.

Entre os piores desempenhos no dia em Hong Kong, os setores de tecnologia e finanças estiveram sob pressão. Lenovo puxou perdas, com baixa de 10%, enquanto a empresa de internet Netease caiu 5,2%. Wuxi Biologics teve queda de 8,45%, após analistas revisarem para baixo perspectivas para a ação da farmacêutica.
O índice Kospi, da Bolsa de Seul, fechou em baixa de 0,82%, em 2.494,28 pontos, com ações ligadas a baterias e a semicondutores entre as mais pressionadas. SK Hynix, fornecedora de chips para a Nvidia, caiu 4,0%.

Na Bolsa de Taiwan, o Taiex caiu 0,54%, em 17.328,01 pontos.
Na Oceania, em Sydney o índice S&P/ASX 200 registrou queda de 0,89%, a 7.061,60 pontos. A perda diária do mercado acionário australiano foi a maior desde 20 de outubro. Hoje, o BC da Austrália manteve a taxa básica de juros, em 4,35%, mas reafirmou postura hawkish (adoção de política austera, com taxas de juros mais altas) se for necessário, com foco nos dados.

Ações de commodities estiveram entre os piores desempenhos, enquanto o setor de energia caiu 2,1%, em quadro de preços mais baixos do petróleo.

Fontes: Reuters,Dow Jones Newswires.