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Apesar da alta de 0,39% no dia, a 4,8516 reais na venda, a moeda norte-americana encerrou acumulando uma queda de 8,08% frente ao real, a mais intensa baixa anual desde o tombo de 17,5% visto em 2016.
A divisa brasileira foi apoiada em 2023 em grande parte pelo alívio de temores fiscais domésticos e pelo diferencial de juros ainda relevante entre Brasil e Estados Unidos -- temas que devem continuar norteando os negócios no ano que vem -- bem como por uma forte safra agrícola no primeiro semestre.
A última sessão de um ano amplamente positivo para o real foi marcada por volatilidade nas primeiras horas de negócios, devido à disputa pelo fechamento da taxa Ptax de dezembro e aos volumes reduzidos antes do Ano Novo.
A alta do dólar frente ao real no dia acompanhou a virada para positivo no índice que compara a divisa norte-americana contra uma cesta de pares fortes, que subia 0,40% nesta tarde.
O movimento estava em linha com a alta dos rendimentos dos Treasuries, que alguns operadores associaram a ajuste após uma tendência recente de arrefecimento das taxas e queda do dólar.
Na cena doméstica, mais cedo nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que o governo enviará ao Congresso uma medida provisória estabelecendo a reoneração gradual da folha de pagamento dos 17 setores hoje isentos desse pagamento, mantendo uma desoneração parcial sobre valores equivalentes a um salário mínimo.
Haddad também anunciou que será fixada uma limitação anual das compensações tributárias para decisões judiciais determinando créditos acima de 10 milhões de reais, bem como o fim gradual do Perse, programa de benefícios tributários criado durante a pandemia da Covid-19 para proteger setores como o de eventos, hotéis e restaurantes.
"Assim como os projetos votados ao longo de dezembro, o conjunto de medidas anunciadas hoje possui impacto significativo sobre o potencial de arrecadação tanto de 2024 quanto para os anos subsequentes", avaliou Matheus Pizzani, economista da CM Capital.
No entanto, "o conjunto das medidas não será responsável por equalizar as contas públicas no próximo ano, conforme demandado pelo arcabouço fiscal, o que não desqualifica em absolutamente nada sua importância para a estrutura das contas públicas do país" num prazo mais longo, completou o economista.
Apesar da persistência de várias incertezas em relação às contas públicas, participantes do mercado notaram melhora fiscal ao longo deste ano, com esforço da equipe econômica para tentar aumentar a arrecadação e alcançar a meta de déficit primário zero em 2024, um dos fatores que explica a forte desvalorização do dólar no acumulado do ano.
Investidores também reagiram nesta quinta-feira a dados que mostraram que o IPCA-15 superou expectativas e subiu 0,40% em dezembro, embora ainda tenha fechado 2023 com alta de 4,72% --resultado que está dentro da banda de tolerância da meta oficial de inflação.
Na esteira dos dados, a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitoria, disse que "não preocupa o rumo da política monetária no curto prazo, há muito espaço para os cortes de 0,50 (ponto percentual) nas próximas reuniões do Copom".
A não aceleração do ritmo de afrouxamento monetário do BC tende a jogar a favor do real, principalmente num contexto de ampla expectativa de redução dos juros pelo Federal Reserve no ano que vem.
Quanto maior o diferencial de juros entre o Brasil e as economias avançadas, mais interessante fica o real para uso em estratégias de "carry trade", que consistem na tomada de empréstimo em países com taxas baixas e aplicação dos recursos em mercados mais rentáveis, o que também explica o fortalecimento do real no acumulado de 2023.
A força extraordinária do setor agropecuário no início deste ano foi o outro importante impulsionador do real nos últimos 12 meses, segundo participantes do mercado.
O Ibovespa fechou o ano com uma alta acumulada de mais de 20%, melhor desempenho desde 2019, em movimento que teve como principal suporte o alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, diante da visão de que o Federal Reserve encerrou o ciclo de aperto monetário na maior economia do mundo e deve começar a reduzir os juros em 2024.
O cenário brasileiro corroborou tal desempenho, com o Banco Central começando no segundo semestre um ciclo de cortes da taxa Selic, que deve continuar no próximo ano, em meio ao alívio na inflação, enquanto o Congresso Nacional aprovou uma reforma tributária e um novo arcabouço fiscal. O ano de 2023 termina ainda com um crescimento mais forte do que o esperado do PIB.
Nesta quinta-feira, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, fechou o dia com variação positiva de 0,01%, a 134.209,4 pontos, segundo dados preliminares, que se confirmado após ajustes serão a marca histórica para fechamento. Na máxima do dia, chegou a 134.391,67 pontos, novo recorde para o intradia. Na mínima, cedeu a 133.832,26 pontos.
O volume financeiro no pregão somava 12,13 bilhões de reais, abaixo da média diária de cerca de 25 bilhões de reais no mês e no ano, com muitos agentes preferindo não assumir posições com a virada do ano, enquanto outros ajustaram suas alocações e alguns aproveitaram para embolsar lucros.
Em dezembro, também conforme os dados antes dos ajustes finais, o Ibovespa acumulou um ganho de 5,4%, representando o oitavo mês com sinal positivo em 2023. Apenas fevereiro (-7,49%), março (-2,91), agosto (-5,09%) e outubro (-2,94%) registraram performance negativa neste exercício.
No quarto trimestre, a alta alcançou 15,14% e no ano atingiu 22,3%, no melhor desempenho desde 2019, quando subiu 31,58%.
As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta quinta-feira (28) com um desempenho próximo da estabilidade, mantendo o impulso derivado das perspectivas de uma política monetária mais suave a ser adotada pelo Federal Reserve (Fed) no próximo ano. Contudo, a jornada foi marcada pela pressão nos índices devido à recuperação nos rendimentos dos Treasuries, limitando os ganhos. O destaque do dia foi a divulgação de indicadores de emprego nos Estados Unidos.
Dow Jones: registrou alta de 0,14%, atingindo os 37.710,10 pontos;
S&P 500: teve um leve acréscimo de 0,04%, alcançando 4.783,35 pontos,
Nasdaq: apresentou uma ligeira queda de 0,03%, fechando em 15.095,14 pontos.
Os mercados acionários na Europa enfrentaram uma tendência predominantemente negativa nesta quinta-feira (28), com o posicionamento de um membro do Banco Central Europeu (BCE) provocando incerteza sobre futuros cortes de juros. A fala de Robert Holzmann, integrante do conselho do BCE, destacou que é prematuro especular sobre reduções nos juros na zona do euro, sem garantias para o próximo ano. Esta postura mais rígida na política monetária impactou negativamente as bolsas.
Holzmann afirmou que não há garantias sobre cortes de juros em 2024, contrariando as expectativas de alguns investidores. Apesar disso, o mercado ainda mantém amplas apostas a favor de cortes nos juros pelo BCE. Essa incerteza contribuiu para uma tendência de baixa nos principais índices europeus. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 0,11%, a 478,08 pontos.
FTSE 100, em Londres, caiu 0,03%, chegando a 7.722,74 pontos;
DAX, em Frankfurt, recuou 0,24%, alcançando 16.701,55 pontos;
CAC 40, em Paris, teve uma redução de 0,48%, ficando em 7.535,16 pontos;
FTSE MIB, em Milão, atingiu uma queda de 0,30%, a 30.331,17 pontos;
Ibex 35, em Madri, recuou 0,35%, a 10.086,20 pontos;
PSI 20, em Lisboa, também registrou uma diminuição de 0,37%, fechando em 6.400,57 pontos.
A fraqueza no mercado de petróleo exerceu pressão adicional, especialmente no setor de energia. O barril de petróleo Brent caiu abaixo de US$ 80, afetando empresas como Shell (-0,06%) e BP (-0,30%). No entanto, a Maersk anunciou o retorno dos navios-tanque pelas rotas do Canal de Suez e do Mar Vermelho, após a garantia de uma presença marítima liderada pelos EUA, aliviando preocupações imediatas sobre questões de abastecimento. A Bolsa de Londres também encerrou o dia em baixa de 0,03%, a 7.722,74 pontos.
Segundo a Hargreaves Lansdown, o Banco de Inglaterra (BoE) demonstra mais cautela em relação à trajetória da inflação do que o Federal Reserve (Fed), sugerindo a possibilidade de taxas de juro mais altas por um período prolongado no Reino Unido.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira (28), com ganhos liderados por Hong Kong em meio à tendência de valorização global dos mercados acionários com expectativas de afrouxamento monetário.
O Hang Seng avançou 2,52% em Hong Kong, a 17.043,53 pontos, graças a uma forte demanda por ações de tecnologia e do setor imobiliário. No ano, porém, o índice do território semiautônomo mostra o pior desempenho na região da Ásia e do Pacífico, com perdas de cerca de 14%.
Na China continental, os mercados foram favorecidos por papéis ligados ao turismo e semicondutores. O Xangai Composto subiu 1,38%, a 2.954,70 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto garantiu alta mais expressiva, de 2,30%, a 1.817,38 pontos.
Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi teve ganho de 1,60% em Seul, a 2.655,28 pontos, a máxima do pregão, enquanto o Taiex registrou ligeira alta de 0,11% em Taiwan, a 17.910,37 pontos.
O viés positivo na região asiática é sustentado também por avanços dos mercados de Nova York e da Europa neste fim de ano, diante da expectativa de que grandes bancos centrais comecem a reduzir juros já no primeiro semestre de 2024.
Por outro lado, o Nikkei caiu 0,42% em Tóquio hoje, a 33.539,62 pontos, realizando lucros após subir mais de 1% na terça-feira, à medida que o fortalecimento do iene frente ao dólar pesou em ações de empresas exportadoras, como as montadoras Toyota (-1,04%) e Honda (-0,20%).
Na Oceania, a bolsa australiana acompanhou a maioria dos pares asiáticos, com alta de 0,70% do S&P/ASX 200 em Sydney, a 7.614.30 pontos.
Fontes: Reuters,Dow Jones Newswires,Broadcast.


